Adoro contos. Quanto mais curtos, melhor. E para quem, como eu, aprecia narrativas breves, uma boa dica é o livro de Edson Rossatto, "Cem Toques Cravados".
São cem nanocontos com exatos cem toques, como promete o título. Em três linhas, nos fazem rir, pensar, lamentar, amar. A proposta é muito interessante.
Meu exemplar, mais antigo, foi publicado pela editora Andross, em 2010. A segunda edição vem ampliada, com 500 contos, pela Europa Editora.
Uma leitura leve, muitas vezes profunda, ideal para qualquer lugar, a qualquer tempo - no elevador, ônibus, metrô, banco de praça, numa pausa de almoço... - e perfeita para quem tem pressa.
Formado em Letras, Rossatto atua como escritor, editor de livros e roteirista de HQ.
Nem sei desde quando sou assim, cheia de pressa. Talvez porque tenha sido uma criança dispersa e lenta ou por ter escolhido o jornalismo como profissão. Quem sabe por viver nessa era de coisas curtas, instantâneas. Não sei. O fato é que sou o que um grande amigo me apelidou: a Mulher-urgente. Urgente por botar pra fora toda essa inquietação imaginativa. Urgente por viver porque a escrita nada mais é que a vida, em suas múltiplas feições.
quarta-feira, 10 de agosto de 2016
segunda-feira, 8 de agosto de 2016
Chimamanda Adichie
Conheci Chimamanda Ngozi Adichie pelo Youtube, falando sobre os perigos de uma história única. E aquela imagem linda da mulher monumental, segura, negra, me marcou bastante porque, como branca brasileira, cresci tentando me livrar de preconceitos raciais e sexistas numa nação que se diz isenta deles por ser multirracial, mas principalmente do preconceito econômico, que define as pessoas pelo que elas tem. Meu pai era mecânico; minha mãe, dona-de-casa. Era filha única de uma família que sofria todas as dificuldades da falta de dinheiro. Meu passatempo, ler os livros empoeirados da estante da minha avó e escrever, que não custava nada, além de fantasiar vidas diferentes com minhas bonecas.
Ouvindo a voz grave e aconchegante de Chimamanda, ouvindo-a dizer que foi uma leitora precoce, dos personagens brancos de olhos azuis que viviam na neve dos romances que ela lia, tão diferentes da sua raça e da realidade de seu país, a Nigéria, percebi o quanto tínhamos em comum. Meus heróis, homens quase todos, ostentavam a liberdade que não havia para mim, concentravam um poder mágico que nunca me fora dado. Aceitava as palavras porque intuía que elas seriam minha redenção, a única saída para os limites claustrofóbicos da minha herança familiar em que ninguém, até então, cursara uma faculdade. Família de mulheres subjugadas, cujos sonhos tinham sido destruídos pelos rígidos papeis sociais, papeis que colocavam as mulheres na cozinha, emparedava-as dentro da prisão que se chamava lar. Mulheres que comentavam: "Na outra encarnação, quero nascer homem". E de homens sobrecarregados, exauridos, condenados a subir e descer montanhas carregando pesos nas costas como eternos Sísifos. Não havia espaço para sinergia e união, homens e mulheres divididos.
A história única de pessoas cativas a seus papeis sociais me revoltava. Tentei fazer diferente, tento um olhar diferente para meus três filhos, refazer essa história, mas quase sempre caio na vala da repetição de padrões. Por que homem não lava louça? Por que não posso me sentir sensual sem parecer errada? Por que, sempre que alguém me elogia, tenho que baixar os olhos? Por que uma mulher sozinha não pode ir a certos lugares? Por que é tão raro um homem adotar o sobrenome da esposa, trocar fralda de bebê e chorar quando está triste? E a maior de todas as perguntas: por que meu pai queria tanto que eu nascesse homem?
Foi neste espírito inquiridor que li um livro curtinho, de pouco mais de cinquenta páginas, publicado pela Companhia das Letras, intitulado "Sejamos todos feministas". De Chimamanda. Trata-se de um um discurso (pode ser visto no Youtube, como palestra no TED), ensaio simples até, para quem leu a densa Simone de Beavouir e outras escritoras filosóficas que abordam o tema, mas muito útil para discutirmos a questão de gênero, partindo de reflexões rotineiras num tom autobiográfico da autora de "Hibisco Roxo" (que comprei e espero ler em breve).
"Gênero e classe são coisas diferentes. Um homem pobre pode ainda ter os privilégios de ser homem, mesmo não tendo o privilégio da riqueza", cita a autora. Mais adiante, pondera: "A cultura não faz as pessoas. As pessoas fazem a cultura". Questões assim, elementares, devem ser debatidas por seres humanos. Aceitarmos as histórias únicas nunca nos fará felizes. Elas estão em nós.
Não pretendi ser rica para compensar as limitações da infância, mas sempre persegui a igualdade entre os sexos, a justiça e o respeito. Subindo e descendo montanhas com meus pesos, como meu pai interior. Lamentando essa sensação de incompletude, como minhas ancestrais. Sinto alento nas palavras de Chimamanda.
Espero, um dia, me libertar da obsessão de ter de ser o menino que não fui para a mágica acontecer, de ter de lutar contra essa feminilidade tão estigmatizada, banir as vozes do ninguém que ditam o que devo ser e fazer. Espero que meus filhos vivam com leveza e alegria, como creio que todas as pessoas devem ser. Por isso, escrevo. Por isso, leio. Por isso, penso. Num esforço contínuo de superação rumo à minha verdadeira essência.
Ouvindo a voz grave e aconchegante de Chimamanda, ouvindo-a dizer que foi uma leitora precoce, dos personagens brancos de olhos azuis que viviam na neve dos romances que ela lia, tão diferentes da sua raça e da realidade de seu país, a Nigéria, percebi o quanto tínhamos em comum. Meus heróis, homens quase todos, ostentavam a liberdade que não havia para mim, concentravam um poder mágico que nunca me fora dado. Aceitava as palavras porque intuía que elas seriam minha redenção, a única saída para os limites claustrofóbicos da minha herança familiar em que ninguém, até então, cursara uma faculdade. Família de mulheres subjugadas, cujos sonhos tinham sido destruídos pelos rígidos papeis sociais, papeis que colocavam as mulheres na cozinha, emparedava-as dentro da prisão que se chamava lar. Mulheres que comentavam: "Na outra encarnação, quero nascer homem". E de homens sobrecarregados, exauridos, condenados a subir e descer montanhas carregando pesos nas costas como eternos Sísifos. Não havia espaço para sinergia e união, homens e mulheres divididos.
A história única de pessoas cativas a seus papeis sociais me revoltava. Tentei fazer diferente, tento um olhar diferente para meus três filhos, refazer essa história, mas quase sempre caio na vala da repetição de padrões. Por que homem não lava louça? Por que não posso me sentir sensual sem parecer errada? Por que, sempre que alguém me elogia, tenho que baixar os olhos? Por que uma mulher sozinha não pode ir a certos lugares? Por que é tão raro um homem adotar o sobrenome da esposa, trocar fralda de bebê e chorar quando está triste? E a maior de todas as perguntas: por que meu pai queria tanto que eu nascesse homem?
Foi neste espírito inquiridor que li um livro curtinho, de pouco mais de cinquenta páginas, publicado pela Companhia das Letras, intitulado "Sejamos todos feministas". De Chimamanda. Trata-se de um um discurso (pode ser visto no Youtube, como palestra no TED), ensaio simples até, para quem leu a densa Simone de Beavouir e outras escritoras filosóficas que abordam o tema, mas muito útil para discutirmos a questão de gênero, partindo de reflexões rotineiras num tom autobiográfico da autora de "Hibisco Roxo" (que comprei e espero ler em breve).
"Gênero e classe são coisas diferentes. Um homem pobre pode ainda ter os privilégios de ser homem, mesmo não tendo o privilégio da riqueza", cita a autora. Mais adiante, pondera: "A cultura não faz as pessoas. As pessoas fazem a cultura". Questões assim, elementares, devem ser debatidas por seres humanos. Aceitarmos as histórias únicas nunca nos fará felizes. Elas estão em nós.
Não pretendi ser rica para compensar as limitações da infância, mas sempre persegui a igualdade entre os sexos, a justiça e o respeito. Subindo e descendo montanhas com meus pesos, como meu pai interior. Lamentando essa sensação de incompletude, como minhas ancestrais. Sinto alento nas palavras de Chimamanda.
Espero, um dia, me libertar da obsessão de ter de ser o menino que não fui para a mágica acontecer, de ter de lutar contra essa feminilidade tão estigmatizada, banir as vozes do ninguém que ditam o que devo ser e fazer. Espero que meus filhos vivam com leveza e alegria, como creio que todas as pessoas devem ser. Por isso, escrevo. Por isso, leio. Por isso, penso. Num esforço contínuo de superação rumo à minha verdadeira essência.
terça-feira, 18 de setembro de 2012
Somos sonhos
"E a vida.
E a vida o que é,
diga lá meu irmão"
(Gonzaguinha)
E a vida o que é,
diga lá meu irmão"
(Gonzaguinha)
Quando vi a A. pela última vez notei que estava distante.
Ela sorriu. Eu apresentei minha mãe e, diante daquele rosto que me pareceu apagado, me
senti culpada por sorrir com entusiasmo, por minhas cores e por minha luz. Ela
estava no fim de uma batalha ganha pelo câncer. Eu não sabia, mas senti. Da
mesma forma que senti a presença da morte em outras situações, apenas pela
energia ao redor da pessoa, às vezes pelo olhar. Guardo na memória cada um.
Em menos de um mês, perdi três pessoas queridas. Não eram
próximas, nem podia chamar de amigos se a definição de amizade pressupõe
visitas domiciliares e conversas íntimas. Cada uma morreu de um jeito, mas as
três ainda jovens. E fica sempre o vazio. Aquele vácuo, aquela sensação de
irreversibilidade, de fragilidade, de que estamos nas mãos de algo maior que
define tudo que acontece conosco, desde a vontade de ir ao banheiro ao desejo
sexual. Não temos controle sobre absolutamente nada dentro e fora do nosso
corpo e somos, na realidade, seres pequenos, fracos e vulneráveis. O
livre-arbítrio é um sonho.
Alguém disse que viver é estar num campo de batalha em que
outras pessoas são atingidas e não se pode parar para socorrê-las, apenas
seguir. Isso é muito triste. Essa definição de vida e morte eu não quero,
embora sinta é que bem por aí. Você vê seu próximo morrer, enxuga as lágrimas e
segue.
Reflito muito, leio mais ainda e chego à conclusão que
gramática nenhuma me salvará. Palavras são apenas isso: signos, símbolos, teorias,
códigos que fortalecem nossa fantasia de controle. Precisamos construir
muralhas, construir nosso mundinho seguro e tanto a escrita como tudo o mais
são ferramentas úteis. Sair para o trabalho todos os dias, dirigir o carro do
ano, vestir as mais lindas roupas ou só guardá-las para uma ocasião melhor - o
que é pior, consumir, ler mais e mais, tudo isso é ficção.
Real mesmo é aquilo que não tem valor neste mundo de ilusão.
É a energia das pessoas e dos animais, é respirar, sentir a água gelada da cachoeira,
é o que se faz naturalmente, sem intervenção humana. Porque tudo que o homem
mexe se transforma numa cópia de quinta categoria, uma tentativa patética de
ser Deus.
Dizem que o Diabo foi um anjo que quis se tornar Deus. Acho
que ele mora em cada ser humano que quer interferir na natureza e recriar o
mundo segundo suas próprias normas de conduta. Estou cheia das regras humanas,
quero e anseio pela liberdade. Quase sempre me sinto em meio a uma multidão que
me leva como numa correnteza de pensamentos, hábitos, leituras, tarefas que não
tem fim nunca, ou só com a morte. Aí é o fim.
E que ilusão acharmos que viveremos do mesmo jeito em outra
esfera! Somos sonhos. Somos filhos do mistério da vida e da morte. Não sabemos
nada além da nossa quase sempre medíocre rotina de todos os dias. Não temos
controle de nada, podemos ter um AVC isquêmico e viver vegetando num leito de
hospital. Podemos bater com o carro. Podemos abrir o exame e ver lá uma doença
fatal. Um vírus pode nos derrubar. Ora é nosso cérebro que nos controla, ora
nossos hormônios, ora nossa história e cultura.
Não criamos tempo para o mais importante: amar e sentir a
vida pulsando em nós enquanto a temos! Quantos anos nós passamos em salas de
aula quando deveríamos fazer como os índios, sair por aí com o calor do sol na
pele, deixando a vida entrar pelo nariz? Aprender em praça livre, ouvindo filósofos. Obrigamos nossos filhos a esse sistema educacional opressor, o que
me lembra daquela cena do clipe “The Wall”, do Pink Floyd, em que os estudantes
seguem em marcha para a máquina de moer carne, como em transe. Não temos tempo
para quem amamos, nem para parar o turbilhão de pensamentos que nos atordoam e
nos amortecem. Não temos tempo para nos
sentir!
A morte de A. me fez perceber que a vida se extingue a cada
segundo como um relógio de areia. Lembro dela com seu lenço na cabeça, seu
sorriso discreto que se iluminava conforme ia falando, seu olhar forte, seguro,
maduro demais. Lembro dela falando sobre história e livros, ioga e os desafios
de ser mulher e mãe, falando sobre infância e que sua mãe que a deixava fazer tudo
e que, no fundo, queria que ela fosse igual às mães das outras meninas. Observo
agora que ela não tinha aquela compulsão por falar de si – ela ouvia em
silêncio também, sabia ouvir os outros. Penso que poderíamos ter sido grandes
amigas, se houvesse mais tempo.
Tudo o que eu queria fazer agora era correr para junto dos meus
filhos, do meu marido, da minha mãe e da minha irmã, dos meus amigos, das pessoas que eu mais amo
no mundo. Mas o que eu posso fazer agora é só pensar nelas, pedir a Deus que as
proteja, e me entregar ao meu algoz: o tempo dessa civilização que nos
escraviza com seus padrões e nos impede de sermos somente, e tão somente, mortais.
sábado, 14 de janeiro de 2012
Mente, essa criança agitada
"Olha aí, monsieur Binot
Aprendi tudo o que você me ensinou
Respirar bem fundo e devagar
Que a energia está no ar"
("Monsieur Binot", Joyce)
Acendi três incensos, acho que empolgada com esse vento quente (noroeste) que eu adoro. Encarei a louça cheia na pia e resolvi por em prática a autoconsciência, que é a síntese do livro que estou lendo, chamado "Desacelere!". O título já dá uma dica que, claro, é para me deixar mais calminha. Ah, e estou de férias. Duas semanas, uma correria que não diminui por conta das demandas do lar, que não são poucas com três filhos.
Respirei fundo, ensaboei a esponja com um detergente novo, de algas, e procurei focar no universo daquela experiência. Procurei senti-la, com os cinco sentidos. Parece fácil. Definitivamente não é. Cada vez que eu mergulhava na água que jorrava da torneira, sentindo a espuma nas mãos e a superfície lisa dos pratos e copos, ou o telefone tocava, ou meu filho chorava, o outro brigava, enfim. Saía e voltava repetidas vezes e, claro, explodia de raiva. Nem se eu fosse uma monja (?) tibetana eu conseguiria manter a paz. Aliás, religiosas não têm filhos, hellooooo....
Lavei a louça, com a autoconsciência colocada perto da lixeira, e a contragosto sentei para escrever, antevendo a próxima briga entre as crianças e o próximo tocar de telefone. Pensei que a vida é uma experiência rica se você conseguir focar no presente. Nada mais existe além do presente, todo mundo sabe disso - o futuro é uma abstração e o passado já foi - é a mesma ladainha. Mas colocar isso em prática exige não apenas uma disciplina treinada para isso (e horário para fazer meditação?) como uma vida diferente, sem tantas obrigações, num ritmo simples, tipo uma casinha no campo. Na cidade, na velocidade atroz do mundo cibernético, no compasso das múltiplas obrigações, só nos resta viver da pior forma: longe.
Na semana passada assisti ao filme "Dançando no Escuro", com a Björn no papel principal. Ela faz uma moça simples, deficiente visual, que foge da realidade fantasiando musicais. Na fábrica onde trabalha, os sons das máquinas dão o timbre certo para as coreografias, é incrível. Ela, ao mesmo tempo, está perto demais do presente, prestando atenção nas nuances dos sons que passavam batido por ouvidos distraídos, e tão longe, imaginando o que não existe a ponto de se machucar num acidente de trabalho.
Penso que muitos dos nossos problemas têm raiz na inconsciência: do parcelamento das compras no cartão de crédito que nos endivida ao enfarto provocado pela falta de cuidado com a saúde. No livro, o autor diz algo interessante: do corpo, só prestamos atenção do pescoço para cima; no restante, só quando necessitamos atender necessidades básicas.
Estou de férias, sim, mas minha cabeça já está na volta ao trabalho, em quem está cuidando do que eu cuido, em com quem ficarão as crianças, em como vou pagar minhas faturas. E aí penso que a nossa mente parece uma criança pequena, hiperativa e indisciplinada. Cada vez que tento estar no presente, ela foge e preciso pegá-la pelo braço e colocá-la no lugar. Ela não pára! No livro diz que temos que ser amorosos com ela, conduzi-la pela mão cada vez que ela sair correndo, acalmá-la cada vez que fantasiar um medo, afagá-la nessa volta à realidade. A conexão é respirar fundo, como diz a tranquila Joyce na canção.
Bem, estou tentando. Aos tropeços, sim. Mas estou tentando.
(PS: Não ligue para eventuais erros. Não revisei o texto, OK?)
Aprendi tudo o que você me ensinou
Respirar bem fundo e devagar
Que a energia está no ar"
("Monsieur Binot", Joyce)
Acendi três incensos, acho que empolgada com esse vento quente (noroeste) que eu adoro. Encarei a louça cheia na pia e resolvi por em prática a autoconsciência, que é a síntese do livro que estou lendo, chamado "Desacelere!". O título já dá uma dica que, claro, é para me deixar mais calminha. Ah, e estou de férias. Duas semanas, uma correria que não diminui por conta das demandas do lar, que não são poucas com três filhos.
Respirei fundo, ensaboei a esponja com um detergente novo, de algas, e procurei focar no universo daquela experiência. Procurei senti-la, com os cinco sentidos. Parece fácil. Definitivamente não é. Cada vez que eu mergulhava na água que jorrava da torneira, sentindo a espuma nas mãos e a superfície lisa dos pratos e copos, ou o telefone tocava, ou meu filho chorava, o outro brigava, enfim. Saía e voltava repetidas vezes e, claro, explodia de raiva. Nem se eu fosse uma monja (?) tibetana eu conseguiria manter a paz. Aliás, religiosas não têm filhos, hellooooo....
Lavei a louça, com a autoconsciência colocada perto da lixeira, e a contragosto sentei para escrever, antevendo a próxima briga entre as crianças e o próximo tocar de telefone. Pensei que a vida é uma experiência rica se você conseguir focar no presente. Nada mais existe além do presente, todo mundo sabe disso - o futuro é uma abstração e o passado já foi - é a mesma ladainha. Mas colocar isso em prática exige não apenas uma disciplina treinada para isso (e horário para fazer meditação?) como uma vida diferente, sem tantas obrigações, num ritmo simples, tipo uma casinha no campo. Na cidade, na velocidade atroz do mundo cibernético, no compasso das múltiplas obrigações, só nos resta viver da pior forma: longe.
Na semana passada assisti ao filme "Dançando no Escuro", com a Björn no papel principal. Ela faz uma moça simples, deficiente visual, que foge da realidade fantasiando musicais. Na fábrica onde trabalha, os sons das máquinas dão o timbre certo para as coreografias, é incrível. Ela, ao mesmo tempo, está perto demais do presente, prestando atenção nas nuances dos sons que passavam batido por ouvidos distraídos, e tão longe, imaginando o que não existe a ponto de se machucar num acidente de trabalho.
Penso que muitos dos nossos problemas têm raiz na inconsciência: do parcelamento das compras no cartão de crédito que nos endivida ao enfarto provocado pela falta de cuidado com a saúde. No livro, o autor diz algo interessante: do corpo, só prestamos atenção do pescoço para cima; no restante, só quando necessitamos atender necessidades básicas.
Estou de férias, sim, mas minha cabeça já está na volta ao trabalho, em quem está cuidando do que eu cuido, em com quem ficarão as crianças, em como vou pagar minhas faturas. E aí penso que a nossa mente parece uma criança pequena, hiperativa e indisciplinada. Cada vez que tento estar no presente, ela foge e preciso pegá-la pelo braço e colocá-la no lugar. Ela não pára! No livro diz que temos que ser amorosos com ela, conduzi-la pela mão cada vez que ela sair correndo, acalmá-la cada vez que fantasiar um medo, afagá-la nessa volta à realidade. A conexão é respirar fundo, como diz a tranquila Joyce na canção.
Bem, estou tentando. Aos tropeços, sim. Mas estou tentando.
(PS: Não ligue para eventuais erros. Não revisei o texto, OK?)
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
Sinais de que estou ficando velha
"Feliz aniversário. Envelheço na cidade" (Ira!)
• prioridade nas compras do mês: tinta para cabelo
• adotei as luzes, a um passo de ficar loira
• comprei um creme antiidade, 40+
• estou lendo um livro chamado “Meu Pescoço é um Horror”
• e, claro, nunca esqueço filtro solar (nas mãos, que elas entregam), creme para área dos olhos, para o contorno dos lábios, para pescoço...
• aprendi a acenar como uma miss
• começo a pensar em fazer musculação para evitar osteoporose
• e para voltar a dar tchau sem se preocupar com o braço
• ando ouvindo uma rádio chamada saudade
• e a apreciar o rei Roberto Carlos
• quando começo a falar das minhas bandas preferidas, ninguém nunca ouviu falar de Spandau Ballet, Ice House e Roxy Music
• me assustei com o Gene Simmons, do Kiss (lembra?), que era meu ídolo
• comprei o CD do Plunct-Plact-Zum
• ainda guardo minha máquina de escrever em casa, máquina de fotografar com filmes, disco de vinil, fita-cassete e disquete (poderia abrir uma loja de antiguidades)
• digo “alugar uma fita” em vez de “alugar um DVD”
• não tenho paciência para novela de hoje – boas mesmo eram “Roque Santeiro” e “O Bem Amado”
• sorry, mas redes sociais me cansam
• aumentei o consumo de soja e leio tudo sobre reposição hormonal
• começo a pensar nas coisas boas da menopausa e me livrar de vez da TPM
• escrevo certinho na internet
• abandonei a praia
• abandonei a piscina, exceção feitas às mornas e com ozônio
• definitivamente não entendo nada das últimas tecnologias
• aprendi a diagramar por “past up”
• meu filho está na faculdade
• nasci na década de 70
• me formei em 93
• já começo a falar “no meu tempo...”
• a palavra “tia” soa bem mais frequente
• logo, logo ouvirei um “vó”
• prioridade nas compras do mês: tinta para cabelo
• adotei as luzes, a um passo de ficar loira
• comprei um creme antiidade, 40+
• estou lendo um livro chamado “Meu Pescoço é um Horror”
• e, claro, nunca esqueço filtro solar (nas mãos, que elas entregam), creme para área dos olhos, para o contorno dos lábios, para pescoço...
• aprendi a acenar como uma miss
• começo a pensar em fazer musculação para evitar osteoporose
• e para voltar a dar tchau sem se preocupar com o braço
• ando ouvindo uma rádio chamada saudade
• e a apreciar o rei Roberto Carlos
• quando começo a falar das minhas bandas preferidas, ninguém nunca ouviu falar de Spandau Ballet, Ice House e Roxy Music
• me assustei com o Gene Simmons, do Kiss (lembra?), que era meu ídolo
• comprei o CD do Plunct-Plact-Zum
• ainda guardo minha máquina de escrever em casa, máquina de fotografar com filmes, disco de vinil, fita-cassete e disquete (poderia abrir uma loja de antiguidades)
• digo “alugar uma fita” em vez de “alugar um DVD”
• não tenho paciência para novela de hoje – boas mesmo eram “Roque Santeiro” e “O Bem Amado”
• sorry, mas redes sociais me cansam
• aumentei o consumo de soja e leio tudo sobre reposição hormonal
• começo a pensar nas coisas boas da menopausa e me livrar de vez da TPM
• escrevo certinho na internet
• abandonei a praia
• abandonei a piscina, exceção feitas às mornas e com ozônio
• definitivamente não entendo nada das últimas tecnologias
• aprendi a diagramar por “past up”
• meu filho está na faculdade
• nasci na década de 70
• me formei em 93
• já começo a falar “no meu tempo...”
• a palavra “tia” soa bem mais frequente
• logo, logo ouvirei um “vó”
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
Cura das Atitudes
Estava ouvindo música no carro, achei um CD gravado pela jornalista Mirna Grizch e achei bacana colocar aqui para todos, que vivem na pressa, começarem a refletir sobre as próprias atitudes. Reproduzo, abaixo:
OS 12 PRINCÍPIOS PARA CURA DAS ATITUDES
1. A essência do nosso ser é amor
2. Saúde é paz interior. Curar é abandonar o medo
3. Dar e receber são a mesma coisa
4. Podemos nos desprender do passado e do futuro
5. O agora é o único tempo que existe, e cada instante é para nos doarmos
6. Podemos aprender a amar a nós mesmos e aos outros perdoando, ao invés de julgando
7. Podemos nos transformar em pessoas que veem o amor e o que une, em lugar de pessoas que veem o erro e o que desune
8. Podemos escolher nos direcionar para a paz interior, independente do que está acontecendo no exterior
9. Somos alunos e professores uns dos outros
10. Podemos nos concentrar na totalidade da vida e não nos seus fragmentos
11. Sendo o Amor eterno, não existe razão para temer a dor e a morte
12. Podemos sempre ver a nós mesmos e aos outros como seres que ou oferecem amor ou suplicam ajuda
OS 12 PRINCÍPIOS PARA CURA DAS ATITUDES
1. A essência do nosso ser é amor
2. Saúde é paz interior. Curar é abandonar o medo
3. Dar e receber são a mesma coisa
4. Podemos nos desprender do passado e do futuro
5. O agora é o único tempo que existe, e cada instante é para nos doarmos
6. Podemos aprender a amar a nós mesmos e aos outros perdoando, ao invés de julgando
7. Podemos nos transformar em pessoas que veem o amor e o que une, em lugar de pessoas que veem o erro e o que desune
8. Podemos escolher nos direcionar para a paz interior, independente do que está acontecendo no exterior
9. Somos alunos e professores uns dos outros
10. Podemos nos concentrar na totalidade da vida e não nos seus fragmentos
11. Sendo o Amor eterno, não existe razão para temer a dor e a morte
12. Podemos sempre ver a nós mesmos e aos outros como seres que ou oferecem amor ou suplicam ajuda
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
Metade
"Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio"
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio"
(Metade, Oswaldo Monenegro)
As minhas metades lutam para não me reconhecer como um ser ambíguo. Mas sou. E desse conflito nasce uma ansiedade capaz de tornar situações banais em quase um coma irreversível. É como se tudo dependesse daquilo naquele momento e qualquer coisa fora do previsto gerasse uma explosão atômica.
Essa semana li que o problema não são as coisas, mas o que pensamos delas. Nosso pensamento, que tanto constrói, também pode ser bem destrutivo. Também li sobre a desconstrução daquilo que alguém um dia ergueu sobre nós, muito provavelmente na infância, muito provavelmente com a melhor das boas intenções.
Por isso, metade.
Difícil encontrar nosso verdadeiro eu debaixo das muralhas sociais construídas com a argamassa de padrões, regras, repressões, o que julgam ser o certo. Às vezes, terapia ajuda. Quase sempre não funciona. Demora tanto - e consome tanto - que a gente desiste. Desiste de saber quem somos de verdade. E ficamos na dúvida se o que pensamos ser de verdade seria o real. A verdade é relativa. E pode haver muitas. Como nós, seres plurais.
sábado, 18 de junho de 2011
Para F.
"Onde queres o ato, eu sou o espírito.
E onde queres ternura, eu sou tesão
Onde queres o livre, decassílabo
E onde buscas o anjo, sou mulher
Onde queres prazer, sou o que dói
E onde queres tortura, mansidão
Onde queres um lar, revolução
E onde queres bandido, sou herói"
(O Quereres, Caetano Veloso)
Ser humano é ser complexo. E creio que uma das maiores complicações inerentes à nossa espécie é a possibilidade de mil desejos. Essa semana estive triste, com raiva. Parte da TPM. Parte de uma certa nostalgia pela vida que um dia tive, quis mudar e optei por outros caminhos. Saudade da liberdade. A gente sempre se pergunta porque abrimos mão, porque fizemos trocas, porque...
(Bem a porcaria do meu notebook faz coisas que eu não quero que ele faça e anda lento demais. Publicou o texto no meio, pode?! Tenho vontade de jogá-lo contra a parede e só não faço isso porque não terei outro e a situação ficará muito pior. Mas qualquer hora eu jogo, juro! Raaaaaahhhhh!!!!!!)
- Um minuto de silêncio, respirando e contando até três....
O fato é que a gente nunca está satisfeito com nada, muito menos com a gente mesmo.
- Pausa de novo para por de novo o DVD do Toy Store para meu filho. (Ruuuuuuhhhhhhh!!!!!) De novo. Acho que hoje não vai dar....
A insatisfação é um problema imenso porque ela vive sempre conosco como uma sombra, grudada, o tempo todo. Lembra um animê que assisti com meu filho mais velho, em que uma criatura vivia atrás de um menino, acompanhando-o por todo lado sem que ninguém o visse.
Essa semana estava a ponto de chorar por um mix de sentimentos. Uma amiga chamada F., que é psicóloga, me acolheu num momento crítico, durante o trabalho. Eu tentando mandar um e-mail, o micro lento, a carga emocional e hormonal querendo explodir, eu contida, ela falando sobre falha de comunicação e quando vi estava chorando e rindo freneticamente na sua frente. Sem me conter, falei tantas coisas, até marcas da infância, rótulos, complexos. E ela me respondeu com seus ouvidos treinados, um abraço bom e a citação da música do Caetano que abre este texto. Ouvindo essa música, que eu adoro (eu amo Caetano), vi que é isso mesmo, o problema do tal quereres.
Comprei uma nova revista feminina e me deparei com entrevista da psicóloga Lidia Rosenberg Aratangy, 70 anos, 50 de casamento, e o conselho dela é "feita a escolha, aposte todas as suas fichas nela". Bom conselho. Aí lembro de outra música, do Chico: "ouça um bom conselho...inútil dormir, a dor não passa".
O que fazer eu não sei. A dor não passa. Acho que é rezar para essa TPM passar logo, agradecer a atenção da minha amiga e seguir adiante que o almoço está no fogo.
E onde queres ternura, eu sou tesão
Onde queres o livre, decassílabo
E onde buscas o anjo, sou mulher
Onde queres prazer, sou o que dói
E onde queres tortura, mansidão
Onde queres um lar, revolução
E onde queres bandido, sou herói"
(O Quereres, Caetano Veloso)
Ser humano é ser complexo. E creio que uma das maiores complicações inerentes à nossa espécie é a possibilidade de mil desejos. Essa semana estive triste, com raiva. Parte da TPM. Parte de uma certa nostalgia pela vida que um dia tive, quis mudar e optei por outros caminhos. Saudade da liberdade. A gente sempre se pergunta porque abrimos mão, porque fizemos trocas, porque...
(Bem a porcaria do meu notebook faz coisas que eu não quero que ele faça e anda lento demais. Publicou o texto no meio, pode?! Tenho vontade de jogá-lo contra a parede e só não faço isso porque não terei outro e a situação ficará muito pior. Mas qualquer hora eu jogo, juro! Raaaaaahhhhh!!!!!!)
- Um minuto de silêncio, respirando e contando até três....
O fato é que a gente nunca está satisfeito com nada, muito menos com a gente mesmo.
- Pausa de novo para por de novo o DVD do Toy Store para meu filho. (Ruuuuuuhhhhhhh!!!!!) De novo. Acho que hoje não vai dar....
A insatisfação é um problema imenso porque ela vive sempre conosco como uma sombra, grudada, o tempo todo. Lembra um animê que assisti com meu filho mais velho, em que uma criatura vivia atrás de um menino, acompanhando-o por todo lado sem que ninguém o visse.
Essa semana estava a ponto de chorar por um mix de sentimentos. Uma amiga chamada F., que é psicóloga, me acolheu num momento crítico, durante o trabalho. Eu tentando mandar um e-mail, o micro lento, a carga emocional e hormonal querendo explodir, eu contida, ela falando sobre falha de comunicação e quando vi estava chorando e rindo freneticamente na sua frente. Sem me conter, falei tantas coisas, até marcas da infância, rótulos, complexos. E ela me respondeu com seus ouvidos treinados, um abraço bom e a citação da música do Caetano que abre este texto. Ouvindo essa música, que eu adoro (eu amo Caetano), vi que é isso mesmo, o problema do tal quereres.
Comprei uma nova revista feminina e me deparei com entrevista da psicóloga Lidia Rosenberg Aratangy, 70 anos, 50 de casamento, e o conselho dela é "feita a escolha, aposte todas as suas fichas nela". Bom conselho. Aí lembro de outra música, do Chico: "ouça um bom conselho...inútil dormir, a dor não passa".
O que fazer eu não sei. A dor não passa. Acho que é rezar para essa TPM passar logo, agradecer a atenção da minha amiga e seguir adiante que o almoço está no fogo.
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Por dentro
"Só não se perca ao entrar
no meu infinito particular"
(Marisa Monte)
Tem gente com fixação no corpo. Não dispensa um espelho. Monitora o peso diariamente e, a cada grama a mais, arranca os cabelos. Passa horas puxando ferro. Investe muito em cremes e roupas (para não dizer sapatos...ah, doce mania a de colecionar esses fetiches), é leitor compulsivo de revistas sobre moda e beleza. Quem não se identificou com uma dessas situações que atire a primeira pedra. Sim, qualquer semelhança não é mera coincidência: passamos muito do nosso tempo preocupados com a imagem refletida num banheiro ou nos comentários dos outros. Isso gera ansiedade, descontentamento e frustração quando a imagem que projetamos não corresponde ao que queremos. E será que nos entendemos?
O desafio das pessoas num mundo voltado para a exibição pública, em que o conceito de beleza é delineado pela moda e condena mulheres ao padrão socialmente imposto da fórmula alta+magra+loura de cabelos lisos=sucesso, talvez seja voltar os olhos para o que está em nosso interior.
Ouvindo a música "Infinito Particular", pensei em escrever este texto como uma reflexão sobre o olhar interior. Sabemos identificar se a maquiagem está perfeita, mas não conseguimos saber se há uma ameaça à saúde ou à vida em nossa cabeça, por exemplo. Ignoramos por completo o que se passa dentro do nosso corpo, seus fenômenos bioquímicos, o que só é possível com check ups regulares, exames e avaliações médicas. E quem quer perder tempo com coisas chatas assim? Então postergamos as consultas; ah, deixa pra depois, vai...
E quanto à saúde mental? Nos conhecemos a ponto de notar uma nova estria na cintura, mas não entendemos nossas necessidades mais íntimas, aquelas guardadas no inconsciente, no arquivo interno do nosso hardware. E lá em algum ponto de um dia ensolarado e azul adentramos, em cima de uma maca, numa Unidade de Terapia Intensiva, para mergulharmos num estranho infinito. Ou surtamos - quantos pacientes psiquiáricos deram pistas despercebidas de que algo não ia bem? Na correria do cotidiano, passam batidos aspectos psicossociais da nossa vida. Não são tangíveis e visíveis.
Apocalíptico demais? Talvez. Mas acho que devemos perseguir esse objetivo: olhar para dentro, seja lá como for. Sinto até um pouco de medo ao tentar esse exercício - afinal, não sei o que posso encontrar... Quem sabe isso explique que é muito mais fácil ficar feliz com um corpo escultural do que ser feliz com uma mudança radical na vida, se for isso que se queira de fato. É mais gostoso tragar um cigarro e saborear a gordura da picanha do que conferir que a taxa de colesterol está normal.
Tento arrumar minha mochila e rumar para uma exploração interna, como uma aventureira na difícil expedição de saber quem eu sou e como estou.
no meu infinito particular"
(Marisa Monte)
Tem gente com fixação no corpo. Não dispensa um espelho. Monitora o peso diariamente e, a cada grama a mais, arranca os cabelos. Passa horas puxando ferro. Investe muito em cremes e roupas (para não dizer sapatos...ah, doce mania a de colecionar esses fetiches), é leitor compulsivo de revistas sobre moda e beleza. Quem não se identificou com uma dessas situações que atire a primeira pedra. Sim, qualquer semelhança não é mera coincidência: passamos muito do nosso tempo preocupados com a imagem refletida num banheiro ou nos comentários dos outros. Isso gera ansiedade, descontentamento e frustração quando a imagem que projetamos não corresponde ao que queremos. E será que nos entendemos?
O desafio das pessoas num mundo voltado para a exibição pública, em que o conceito de beleza é delineado pela moda e condena mulheres ao padrão socialmente imposto da fórmula alta+magra+loura de cabelos lisos=sucesso, talvez seja voltar os olhos para o que está em nosso interior.
Ouvindo a música "Infinito Particular", pensei em escrever este texto como uma reflexão sobre o olhar interior. Sabemos identificar se a maquiagem está perfeita, mas não conseguimos saber se há uma ameaça à saúde ou à vida em nossa cabeça, por exemplo. Ignoramos por completo o que se passa dentro do nosso corpo, seus fenômenos bioquímicos, o que só é possível com check ups regulares, exames e avaliações médicas. E quem quer perder tempo com coisas chatas assim? Então postergamos as consultas; ah, deixa pra depois, vai...
E quanto à saúde mental? Nos conhecemos a ponto de notar uma nova estria na cintura, mas não entendemos nossas necessidades mais íntimas, aquelas guardadas no inconsciente, no arquivo interno do nosso hardware. E lá em algum ponto de um dia ensolarado e azul adentramos, em cima de uma maca, numa Unidade de Terapia Intensiva, para mergulharmos num estranho infinito. Ou surtamos - quantos pacientes psiquiáricos deram pistas despercebidas de que algo não ia bem? Na correria do cotidiano, passam batidos aspectos psicossociais da nossa vida. Não são tangíveis e visíveis.
Apocalíptico demais? Talvez. Mas acho que devemos perseguir esse objetivo: olhar para dentro, seja lá como for. Sinto até um pouco de medo ao tentar esse exercício - afinal, não sei o que posso encontrar... Quem sabe isso explique que é muito mais fácil ficar feliz com um corpo escultural do que ser feliz com uma mudança radical na vida, se for isso que se queira de fato. É mais gostoso tragar um cigarro e saborear a gordura da picanha do que conferir que a taxa de colesterol está normal.
Tento arrumar minha mochila e rumar para uma exploração interna, como uma aventureira na difícil expedição de saber quem eu sou e como estou.
terça-feira, 29 de março de 2011
Notícias vãs
"Tudo bem... Até pode ser. Que os dragões sejam moinhos de vento
Muito prazer... Ao seu dispor
Se for por amor às causas perdidas"
("Dom Quixote", Engenheiros do Hawaii)
O tempo pára. Respiro. Avanço. E entorpeço com aquela sensação de inundação que me invade antes do choro compulsivo. Mas não choro, pois estou vazia.
O tempo voa. E me arrasta com a força de um vendaval de pensamentos, fazendo-me chocar contra a brutalidade da consciência, que pesa e cobra uma posição, uma ação.
Na boca e no estômago, sinto a sensação amarga da impossibilidade de dar realidade a um ideal.
Leio os jornais. Notícias banais. Comentários irreais. Não creio que a vida seja tão sem significado para tanta gente.
Em que mundo eu vivo? Olho ao redor e há tanta mediocridade que me faz querer voltar para o útero da minha mãe, levando meus filhos, claro.
Que fruto darei? Qual a minha bandeira?
Respiro.
Lamento.
E não sei o que fazer.
Queria ser Dom Quixote.
(Volto a escrever)
Muito prazer... Ao seu dispor
Se for por amor às causas perdidas"
("Dom Quixote", Engenheiros do Hawaii)
O tempo pára. Respiro. Avanço. E entorpeço com aquela sensação de inundação que me invade antes do choro compulsivo. Mas não choro, pois estou vazia.
O tempo voa. E me arrasta com a força de um vendaval de pensamentos, fazendo-me chocar contra a brutalidade da consciência, que pesa e cobra uma posição, uma ação.
Na boca e no estômago, sinto a sensação amarga da impossibilidade de dar realidade a um ideal.
Leio os jornais. Notícias banais. Comentários irreais. Não creio que a vida seja tão sem significado para tanta gente.
Em que mundo eu vivo? Olho ao redor e há tanta mediocridade que me faz querer voltar para o útero da minha mãe, levando meus filhos, claro.
Que fruto darei? Qual a minha bandeira?
Respiro.
Lamento.
E não sei o que fazer.
Queria ser Dom Quixote.
(Volto a escrever)
segunda-feira, 7 de março de 2011
Bendita la luz de tu mirada
"Faz um tempo eu quis, fazer uma canção
Pra você viver mais"
(Pato Fu)
Esta música, "Canção pra você viver mais", fala sobre o sentimento de uma filha sobre seu pai e me diz muito. Sempre choro, não tem jeito, é inevitável, no carro, numa sala de espera, aqui no micro. Ocorre que hoje quero escrever sobre o amor em família, mas não aquele amor do fruto do ventre, o amor a quem concebemos ou nos concebe. Quero falar do amor que chega e transforma tudo, que nos encanta e surge de onde menos esperamos.
Trabalho num hospital, mas na área de comunicação. E eis que no Natal do ano passado tive que acompanhar o Papai Noel até a UTI Neonatal, onde me deparei com uma garotinha de bracinhos abertos e o sorriso mais lindo que eu já vi em toda a minha vida. Essa pequena - da idade do meu filho mais novo, nasceu um mês depois dele, hoje estão com um ano e meio - mudou minha vida. Passei minhas férias indo três vezes por semana ao abrigo onde ela está, depois de visitá-la no hospital até sua alta, quase todos os dias, no horário de almoço.
Ela é uma luz, o verdadeiro Sol. Nasceu com um problema muito grave de saúde e está sob a tutela da Justiça, aguardando adoção. Não anda, não senta, não come pela boca, mas por uma gastrostomia. Seu corpinho frágil revela várias cirurgias, cicatrizes da sua sobrevivência. É uma fênix.
Em quatro meses de convivência, assumi o compromisso de ser voluntária, ajudando a dar apoio a crianças abandonadas; penso em criar uma atividade ligada ao jornalismo para os adolescentes na mesma situação; hoje lidero um grupo de humanização onde trabalho. Não importa se o dia está cheio, se estou cansada, se estou sem tempo: dou um jeito e sempre a vejo. Cada vez que olho para ela e ela sorri, meu coração transborda de paz. O tempo pára. Não há pressa; aliás, costumo dar meu relógio para ela brincar. Desde então, quando estou com meus filhos, me concentro neles, aproveitando cada momento, como agora, meu filho do meio, de 4 anos, cantando: "Bendita la luz, bendita la luz de tu mirada", do grupo Maná (a canção se chama "Bendita Tu Luz"). Agradeço a Deus a bendita luz do olhar da minha menina.
Não ando escrevendo aqui porque a Síndrome da Pressa me parece um grão de areia de tão insignificante. Quando olho meu anjinho, por quem estou completamente apaixonada, enfrentar tantos problemas graves de saúde sorrindo, o tempo congela e nada mais importa a não ser o momento que passamos juntas.
Este é o amor incondicional, que brota do vazio. Uma receita para ser feliz. Estamos juntas, mesmo que minha condição atual não permita que a pegue no colo e a leve para casa, como adoraria fazer. Estamos juntas, mesmo sabendo que Papai do Céu poderá, um dia, chamá-la para se tornar uma estrela. Estamos juntas, mesmo que subordinadas a um sistema, à burocracia, a avaliações de estranhos, a autorizações oficiais. Estamos juntas, mesmo em casas separadas. E isso nada e ninguém poderá mudar. Meu tempo é agora. Nosso tempo é o presente e este é o meu maior presente: ter a dádiva de tê-la em minha vida.
Sem saber, essa garotinha me fez voltar ao meu verdadeiro caminho, como um farol de milha. Literalmente mudou minha vida e hoje penso em lutar para que as pessoas se sensibilizem com crianças portadoras de necessidades especiais que estão para adoção nos abrigos, aguardando uma chance de brilhar para uma pessoa, para uma família, para o mundo. Tomando conhecimento deste universo, que envolve a adoção tardia e o amor verdadeiro, sinto vontade de gritar a plenos pulmões que o amor é tudo e não tem rosto, um perfil. A perfeição é imperfeita. Ser diferente é ser normal. Tantas lições aprendo com as histórias daquelas crianças tão pequenas e tão heróicas, que enfrentam a falta de amor, o abandono, doenças graves, o preconceito da sociedade e tantos outros problemas. Elas não exigem nada, apenas oferecem inocência, alegria, transformação.
Pra você viver mais"
(Pato Fu)
Esta música, "Canção pra você viver mais", fala sobre o sentimento de uma filha sobre seu pai e me diz muito. Sempre choro, não tem jeito, é inevitável, no carro, numa sala de espera, aqui no micro. Ocorre que hoje quero escrever sobre o amor em família, mas não aquele amor do fruto do ventre, o amor a quem concebemos ou nos concebe. Quero falar do amor que chega e transforma tudo, que nos encanta e surge de onde menos esperamos.
Trabalho num hospital, mas na área de comunicação. E eis que no Natal do ano passado tive que acompanhar o Papai Noel até a UTI Neonatal, onde me deparei com uma garotinha de bracinhos abertos e o sorriso mais lindo que eu já vi em toda a minha vida. Essa pequena - da idade do meu filho mais novo, nasceu um mês depois dele, hoje estão com um ano e meio - mudou minha vida. Passei minhas férias indo três vezes por semana ao abrigo onde ela está, depois de visitá-la no hospital até sua alta, quase todos os dias, no horário de almoço.
Ela é uma luz, o verdadeiro Sol. Nasceu com um problema muito grave de saúde e está sob a tutela da Justiça, aguardando adoção. Não anda, não senta, não come pela boca, mas por uma gastrostomia. Seu corpinho frágil revela várias cirurgias, cicatrizes da sua sobrevivência. É uma fênix.
Em quatro meses de convivência, assumi o compromisso de ser voluntária, ajudando a dar apoio a crianças abandonadas; penso em criar uma atividade ligada ao jornalismo para os adolescentes na mesma situação; hoje lidero um grupo de humanização onde trabalho. Não importa se o dia está cheio, se estou cansada, se estou sem tempo: dou um jeito e sempre a vejo. Cada vez que olho para ela e ela sorri, meu coração transborda de paz. O tempo pára. Não há pressa; aliás, costumo dar meu relógio para ela brincar. Desde então, quando estou com meus filhos, me concentro neles, aproveitando cada momento, como agora, meu filho do meio, de 4 anos, cantando: "Bendita la luz, bendita la luz de tu mirada", do grupo Maná (a canção se chama "Bendita Tu Luz"). Agradeço a Deus a bendita luz do olhar da minha menina.
Não ando escrevendo aqui porque a Síndrome da Pressa me parece um grão de areia de tão insignificante. Quando olho meu anjinho, por quem estou completamente apaixonada, enfrentar tantos problemas graves de saúde sorrindo, o tempo congela e nada mais importa a não ser o momento que passamos juntas.
Este é o amor incondicional, que brota do vazio. Uma receita para ser feliz. Estamos juntas, mesmo que minha condição atual não permita que a pegue no colo e a leve para casa, como adoraria fazer. Estamos juntas, mesmo sabendo que Papai do Céu poderá, um dia, chamá-la para se tornar uma estrela. Estamos juntas, mesmo que subordinadas a um sistema, à burocracia, a avaliações de estranhos, a autorizações oficiais. Estamos juntas, mesmo em casas separadas. E isso nada e ninguém poderá mudar. Meu tempo é agora. Nosso tempo é o presente e este é o meu maior presente: ter a dádiva de tê-la em minha vida.
Sem saber, essa garotinha me fez voltar ao meu verdadeiro caminho, como um farol de milha. Literalmente mudou minha vida e hoje penso em lutar para que as pessoas se sensibilizem com crianças portadoras de necessidades especiais que estão para adoção nos abrigos, aguardando uma chance de brilhar para uma pessoa, para uma família, para o mundo. Tomando conhecimento deste universo, que envolve a adoção tardia e o amor verdadeiro, sinto vontade de gritar a plenos pulmões que o amor é tudo e não tem rosto, um perfil. A perfeição é imperfeita. Ser diferente é ser normal. Tantas lições aprendo com as histórias daquelas crianças tão pequenas e tão heróicas, que enfrentam a falta de amor, o abandono, doenças graves, o preconceito da sociedade e tantos outros problemas. Elas não exigem nada, apenas oferecem inocência, alegria, transformação.
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
Amigos
"- Olá! Como vai?
– Eu vou indo. E você, tudo bem?
– Tudo bem! Eu vou indo, correndo pegar meu lugar no futuro... E você?
– Tudo bem! Eu vou indo, em busca de um sono tranqüilo... Quem sabe?
– Quanto tempo!
– Pois é, quanto tempo!
– Me perdoe a pressa; é a alma dos nossos negócios!
– Qual, não tem de quê! Eu também só ando a cem!
(...)
– Tanta coisa que eu tinha a dizer, mas eu sumi na poeira das ruas...
– Eu também tenho algo a dizer, mas me foge à lembrança..."
(Sinal fechado, Paulinho da Viola)
A você, meu amigo, dedico este artigo. Talvez porque ontem morreu um amigo querido. Morreu simplesmente e eu nada pude fazer a não ser compor uma nota de pesar.
Escrevo este artigo para dizer o quanto te amo, mesmo que eu também só ande a cem. Sem tempo para um café, sem tempo para telefonemas. Vagando entre um compromisso e outro, em busca de um sono tranquilo, correndo para pegar meu lugar no futuro.
Meu amigo morreu antes que eu pudesse lhe perguntar se eu podia ajudar. Antes mesmo de eu lhe oferecer meus ouvidos, meu ombro, minhas mãos.
Penso em quantos amigos encontrei nos semáforos da vida. Aqueles segundos de sinal vermelho em que apenas dizemos que não, não esquecemos do outro, que vamos marcar de se ver. E a vida passa. E com ela a chance de sermos solidários de fato, a chance de proteger a amizade como a ave protege seu ninho. Mas o sinal abre, e o sonho se vai, as promessas se dissolvem, os dias passam, a vida corre.
Ali, no frio do asfalto, congelada naqueles instantes, fica a distância entre intenção e gesto. E a amargura de um imenso vazio.
– Eu vou indo. E você, tudo bem?
– Tudo bem! Eu vou indo, correndo pegar meu lugar no futuro... E você?
– Tudo bem! Eu vou indo, em busca de um sono tranqüilo... Quem sabe?
– Quanto tempo!
– Pois é, quanto tempo!
– Me perdoe a pressa; é a alma dos nossos negócios!
– Qual, não tem de quê! Eu também só ando a cem!
(...)
– Tanta coisa que eu tinha a dizer, mas eu sumi na poeira das ruas...
– Eu também tenho algo a dizer, mas me foge à lembrança..."
(Sinal fechado, Paulinho da Viola)
A você, meu amigo, dedico este artigo. Talvez porque ontem morreu um amigo querido. Morreu simplesmente e eu nada pude fazer a não ser compor uma nota de pesar.
Escrevo este artigo para dizer o quanto te amo, mesmo que eu também só ande a cem. Sem tempo para um café, sem tempo para telefonemas. Vagando entre um compromisso e outro, em busca de um sono tranquilo, correndo para pegar meu lugar no futuro.
Meu amigo morreu antes que eu pudesse lhe perguntar se eu podia ajudar. Antes mesmo de eu lhe oferecer meus ouvidos, meu ombro, minhas mãos.
Penso em quantos amigos encontrei nos semáforos da vida. Aqueles segundos de sinal vermelho em que apenas dizemos que não, não esquecemos do outro, que vamos marcar de se ver. E a vida passa. E com ela a chance de sermos solidários de fato, a chance de proteger a amizade como a ave protege seu ninho. Mas o sinal abre, e o sonho se vai, as promessas se dissolvem, os dias passam, a vida corre.
Ali, no frio do asfalto, congelada naqueles instantes, fica a distância entre intenção e gesto. E a amargura de um imenso vazio.
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Minuto
"Melhor viver dez anos a mil do que mil anos a dez" (Lobão)
Cena: cheia de urgência, chego à beira da calçada e vejo o semáforo vermelho, barrando uma fila de motoristas de automóveis loucos para acelerar. E naquele "olha-pensa-para ou corre", na dúvida se dará tempo para atravessar e vendo a ampulheta do semáforo se esgotar, na iminência do verde abrir passagem para aquela manada, ali naquela cena patética, olho para o lado e vejo uma mulher com um bebê no colo. Deixo de pensar no dilema de atravessar ou não a rua e penso que aquela mulher poderia ser eu, e seu bebê, meu filho mais novo, ainda de colo. Com um sorriso, ela diz: "Melhor esperar um minuto na vida que perder a vida em um minuto". Em cheio. Como uma torta na cara.
Naquele momento que me pareceu congelado, o sinal abriu para os carros e o que parecia eternidade se esgotou em alguns segundos ligeiros. Com segurança, atravessamos a rua movimentada, cada uma para o seu caminho. Meus passos e a minha consciência ficaram mais leves.
Cena: cheia de urgência, chego à beira da calçada e vejo o semáforo vermelho, barrando uma fila de motoristas de automóveis loucos para acelerar. E naquele "olha-pensa-para ou corre", na dúvida se dará tempo para atravessar e vendo a ampulheta do semáforo se esgotar, na iminência do verde abrir passagem para aquela manada, ali naquela cena patética, olho para o lado e vejo uma mulher com um bebê no colo. Deixo de pensar no dilema de atravessar ou não a rua e penso que aquela mulher poderia ser eu, e seu bebê, meu filho mais novo, ainda de colo. Com um sorriso, ela diz: "Melhor esperar um minuto na vida que perder a vida em um minuto". Em cheio. Como uma torta na cara.
Naquele momento que me pareceu congelado, o sinal abriu para os carros e o que parecia eternidade se esgotou em alguns segundos ligeiros. Com segurança, atravessamos a rua movimentada, cada uma para o seu caminho. Meus passos e a minha consciência ficaram mais leves.
quarta-feira, 21 de julho de 2010
Último dia. Ou Tributo a Richard Carlson
"Meu amor
O que você faria se só te restasse um dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz, o que você faria?
Iria manter sua agenda
de almoço, hora, apatia?
Ou esperar os seus amigos
Na sua sala vazia?"
(Paulinho Moska)
Acabei de ler um livro incrível. Peguei ao acaso, na biblioteca pública, na parte de autoajuda. Curto, simples e tão correto que fica difícil não tentar praticar seus ensinamentos. Acho que você deve ter ouvido falar, já esteve em listas dos mais lidos. Chama-se "Não Faça Tempestade em Copo D´água", da editora Rocco. Gostei tanto das 100 dicas que, ao chegar na centésima, "Viva este dia como se fosse seu último. Pode ser", busquei um contato com o autor do livro, Richard Carlson. Numa busca rápida, fiquei chocada e muito, muito triste, de ler Obituário em seu site em inglês. Reli o último capítulo e isso me fez parar.
Richard, que escreveu com aquela naturalidade que nos faz senti-lo como um grande amigo, morreu jovem, em 2006, de embolia pulmonar. Deixou filhas, esposa e o legado de seus livros como palestrante e consultor sobre estresse.
A vida e a morte nos surpreendem. Recentemente, já contei no blog, conheci um senhor de 100 anos incrivelmente bem. Pessoas jovens, como Richard, podem morrer sem aviso e a gente se sente naquele mar branco, cercado de névoa, o mistério da nossa frágil existência.
A única certeza que temos é a alegria do momento presente. Quando corremos e encaramos a vida como uma sucessão de eventos urgentes, ou quando valorizamos coisas e gente que não merecem atenção, não desfrutamos a experiência de viver. Quantos, ao morrer, além da caixa de entrada cheia de afazeres, deixam também o vazio existencial de quem nunca valorizou o que realmente era importante? Certamente Richard Carlson não foi um desses. Ele contribuiu, à sua maneira, para um mundo melhor, espalhando serenidade e amor por aí.
Sua morte prematura só reforça o último capítulo do livro que acabo de terminar de ler. Como diz Paulinho Moska na canção que cito na abertura, viva este dia como se fosse o último. E, como disse Carlson, ele pode ser.
O que você faria se só te restasse um dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz, o que você faria?
Iria manter sua agenda
de almoço, hora, apatia?
Ou esperar os seus amigos
Na sua sala vazia?"
(Paulinho Moska)
Acabei de ler um livro incrível. Peguei ao acaso, na biblioteca pública, na parte de autoajuda. Curto, simples e tão correto que fica difícil não tentar praticar seus ensinamentos. Acho que você deve ter ouvido falar, já esteve em listas dos mais lidos. Chama-se "Não Faça Tempestade em Copo D´água", da editora Rocco. Gostei tanto das 100 dicas que, ao chegar na centésima, "Viva este dia como se fosse seu último. Pode ser", busquei um contato com o autor do livro, Richard Carlson. Numa busca rápida, fiquei chocada e muito, muito triste, de ler Obituário em seu site em inglês. Reli o último capítulo e isso me fez parar.
Richard, que escreveu com aquela naturalidade que nos faz senti-lo como um grande amigo, morreu jovem, em 2006, de embolia pulmonar. Deixou filhas, esposa e o legado de seus livros como palestrante e consultor sobre estresse.
A vida e a morte nos surpreendem. Recentemente, já contei no blog, conheci um senhor de 100 anos incrivelmente bem. Pessoas jovens, como Richard, podem morrer sem aviso e a gente se sente naquele mar branco, cercado de névoa, o mistério da nossa frágil existência.
A única certeza que temos é a alegria do momento presente. Quando corremos e encaramos a vida como uma sucessão de eventos urgentes, ou quando valorizamos coisas e gente que não merecem atenção, não desfrutamos a experiência de viver. Quantos, ao morrer, além da caixa de entrada cheia de afazeres, deixam também o vazio existencial de quem nunca valorizou o que realmente era importante? Certamente Richard Carlson não foi um desses. Ele contribuiu, à sua maneira, para um mundo melhor, espalhando serenidade e amor por aí.
Sua morte prematura só reforça o último capítulo do livro que acabo de terminar de ler. Como diz Paulinho Moska na canção que cito na abertura, viva este dia como se fosse o último. E, como disse Carlson, ele pode ser.
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Inteligência emocional
"De que vale teu cabelo liso
e as ideias enroladas dentro da tua cabeça?"
(Ana Carolina)
Não sei quantas vezes já saí do sério, o vulgo "piti", por não dimensionar bem uma situação e me sentir sobrecarregada. Nessas explosões de raiva e impotência, o raciocínio fica em algum lugar perdido dentro de um ser em ebulição. No meu caso, parece que entro em transe, minha capacidade lógica desaparece completamente e eu me desespero no mais profundo abismo da ignorância. Um surto. Buraco negro, em queda livre.
Tudo começa com uma carga que eu não consigo suportar, mas que vou carregando mesmo assim, dia após dia, hora após hora. Negligencio cuidados emocionais enquanto, paradoxalmente, acentuo os cuidados físicos com cremes, shampoos, perfumes, batons, como se isso fosse trazer algum alívio ou força. (Diga lá: não é nesta hora que consumimos mais? Nossos contracheques e extratos bancários com cifras vermelhas não são termômetros desta carência?) Sorriso no rosto, quantas vezes nossa vontade era berrar que detestamos uma situação ou pessoa, que está além da nossa capacidade de tolerância? E passamos batido...
Num momento banal - a chave perdida, o pneu furado, a pane no micro - tudo despenca e a fragilidade, até então oculta pela racionalidade, mostra quem somos de fato. E quem somos de fato? Humanos.
Nosso cérebro superior ao dos nossos irmãos mamíferos nos faz crer que somos algo entre o divino e o mágico. Criamos a fantasia de termos superpoderes. É a mãe que se acha a própria Mulher Elástico, com braços que esticam e alcançam filhos, tarefas do trabalho e afazeres de casa. É o homem que se vê como o Super Man, indestrutível. Mas, sinto dizer, somos de carne e osso exatamente como os nossos irmãos mamíferos. Temos necessidades comuns: de alimento, água, calor, sexo, afeto, sono, paz.
Quando a mente cria fantasias de poder extremo, o corpo não só padece com doenças (várias vezes me senti como à beira de um ataque cardíaco ou um AVC) como se rebela, fazendo outra coisa, pegando outro atalho por conta própria e gargalhando dos pobres neurônios.
Se compreendermos melhor esse complexo mecanismo que nos faz humanos, embora animais como os outros, podemos não apenas melhorar nossas relações interpessoais como ter mais qualidade de vida. Ando estudando esse tema, inteligência emocional, para saber dosar emoção e razão. Conseguir encontrar paz em meio ao caos, manter o pensamento calmo diante dos desafios, controlar emoções.
Hoje cedo tive um piti e acabo envolvendo muita gente ao redor. Na véspera, antes de dormir, li mais uma página do livro que elegi como guia para desbravar esse caminho. Mas, calma, só estou no primeiro capítulo. Das duas, uma: ou chego ao fim do livro transformada, ou ele vai para o armário de autoajuda onde adormecem livros sobre respiração, ioga, terapias alternativas... Ótimas leituras, mas algo me diz que só a prática diária de prestar mais atenção em nosso próprio ser vai surtir algum resultado. Por enquanto, essa é mais uma promessa de ano-novo e olha que já estamos no segundo semestre. O que posso fazer no momento é respirar fundo, distribuir desculpas e ir adiante.
e as ideias enroladas dentro da tua cabeça?"
(Ana Carolina)
Não sei quantas vezes já saí do sério, o vulgo "piti", por não dimensionar bem uma situação e me sentir sobrecarregada. Nessas explosões de raiva e impotência, o raciocínio fica em algum lugar perdido dentro de um ser em ebulição. No meu caso, parece que entro em transe, minha capacidade lógica desaparece completamente e eu me desespero no mais profundo abismo da ignorância. Um surto. Buraco negro, em queda livre.
Tudo começa com uma carga que eu não consigo suportar, mas que vou carregando mesmo assim, dia após dia, hora após hora. Negligencio cuidados emocionais enquanto, paradoxalmente, acentuo os cuidados físicos com cremes, shampoos, perfumes, batons, como se isso fosse trazer algum alívio ou força. (Diga lá: não é nesta hora que consumimos mais? Nossos contracheques e extratos bancários com cifras vermelhas não são termômetros desta carência?) Sorriso no rosto, quantas vezes nossa vontade era berrar que detestamos uma situação ou pessoa, que está além da nossa capacidade de tolerância? E passamos batido...
Num momento banal - a chave perdida, o pneu furado, a pane no micro - tudo despenca e a fragilidade, até então oculta pela racionalidade, mostra quem somos de fato. E quem somos de fato? Humanos.
Nosso cérebro superior ao dos nossos irmãos mamíferos nos faz crer que somos algo entre o divino e o mágico. Criamos a fantasia de termos superpoderes. É a mãe que se acha a própria Mulher Elástico, com braços que esticam e alcançam filhos, tarefas do trabalho e afazeres de casa. É o homem que se vê como o Super Man, indestrutível. Mas, sinto dizer, somos de carne e osso exatamente como os nossos irmãos mamíferos. Temos necessidades comuns: de alimento, água, calor, sexo, afeto, sono, paz.
Quando a mente cria fantasias de poder extremo, o corpo não só padece com doenças (várias vezes me senti como à beira de um ataque cardíaco ou um AVC) como se rebela, fazendo outra coisa, pegando outro atalho por conta própria e gargalhando dos pobres neurônios.
Se compreendermos melhor esse complexo mecanismo que nos faz humanos, embora animais como os outros, podemos não apenas melhorar nossas relações interpessoais como ter mais qualidade de vida. Ando estudando esse tema, inteligência emocional, para saber dosar emoção e razão. Conseguir encontrar paz em meio ao caos, manter o pensamento calmo diante dos desafios, controlar emoções.
Hoje cedo tive um piti e acabo envolvendo muita gente ao redor. Na véspera, antes de dormir, li mais uma página do livro que elegi como guia para desbravar esse caminho. Mas, calma, só estou no primeiro capítulo. Das duas, uma: ou chego ao fim do livro transformada, ou ele vai para o armário de autoajuda onde adormecem livros sobre respiração, ioga, terapias alternativas... Ótimas leituras, mas algo me diz que só a prática diária de prestar mais atenção em nosso próprio ser vai surtir algum resultado. Por enquanto, essa é mais uma promessa de ano-novo e olha que já estamos no segundo semestre. O que posso fazer no momento é respirar fundo, distribuir desculpas e ir adiante.
segunda-feira, 7 de junho de 2010
É junho
"Eu sei que é junho, esse relógio lento
Esse punhal de lesma, esse ponteiro,
Esse morcego em volta do candeeiro
E o chumbo de um velho pensamento..."
(Alceu Valença, Junho)
É junho e nem parece que chegamos ao meio de um ano que mal começou. Será que o tempo anda mesmo acelerado ou nós, acelerados que somos, mudamos nossa percepção de tempo?
O fato é que os dias se vão com uma rapidez impressionante e, paradoxalmente, o relógio se arrasta quando queremos que ele gire demais. Mesmo crendo que o dia devia ter mais de 24 horas, não temos poder para flexibilizar minutos ou segundos ao nosso bel prazer. Mas podemos desfrutar, com prazer, todo o tempo que temos.
Uma vida humana pode durar 80, 90 anos - se nada de errado antecipar a morte que chega naturalmente.
Um parênteses: semana passada encontrei um senhor de 100 que pediu para botar boné antes de ser fotografado, não sei se por vaidade ou respeito. Ao clicá-lo, senti a mesma emoção de contemplar um recém-nascido, no milagre da vida. Aqueles olhinhos cansados, a pele enrugada, o cabelo branquinho e a serenidade de quem já presenciou muitas coisas. E a pureza infantil que parece coroar pessoas muito idosas.
Se a existência é finita porque desperdiçar um tempo precioso com ansiedade, com o chumbo de um velho pensamento, como diz Alceu?
Neste mês de junho, ao invés de lamentar o ano que caminha para o fim, o convite é buscar alegria nas mínimas coisas do cotidiano. É tempo de frio, aconchego, bebida quente, a alegria das festas típicas, o entusiasmo do futebol. Entre amigos, queridos, família. Curta as crianças: elas crescem!
Aproveite. Saboreie cada segundo. Porque passa, e deve deixar saudade.
Esse punhal de lesma, esse ponteiro,
Esse morcego em volta do candeeiro
E o chumbo de um velho pensamento..."
(Alceu Valença, Junho)
É junho e nem parece que chegamos ao meio de um ano que mal começou. Será que o tempo anda mesmo acelerado ou nós, acelerados que somos, mudamos nossa percepção de tempo?
O fato é que os dias se vão com uma rapidez impressionante e, paradoxalmente, o relógio se arrasta quando queremos que ele gire demais. Mesmo crendo que o dia devia ter mais de 24 horas, não temos poder para flexibilizar minutos ou segundos ao nosso bel prazer. Mas podemos desfrutar, com prazer, todo o tempo que temos.
Uma vida humana pode durar 80, 90 anos - se nada de errado antecipar a morte que chega naturalmente.
Um parênteses: semana passada encontrei um senhor de 100 que pediu para botar boné antes de ser fotografado, não sei se por vaidade ou respeito. Ao clicá-lo, senti a mesma emoção de contemplar um recém-nascido, no milagre da vida. Aqueles olhinhos cansados, a pele enrugada, o cabelo branquinho e a serenidade de quem já presenciou muitas coisas. E a pureza infantil que parece coroar pessoas muito idosas.
Se a existência é finita porque desperdiçar um tempo precioso com ansiedade, com o chumbo de um velho pensamento, como diz Alceu?
Neste mês de junho, ao invés de lamentar o ano que caminha para o fim, o convite é buscar alegria nas mínimas coisas do cotidiano. É tempo de frio, aconchego, bebida quente, a alegria das festas típicas, o entusiasmo do futebol. Entre amigos, queridos, família. Curta as crianças: elas crescem!
Aproveite. Saboreie cada segundo. Porque passa, e deve deixar saudade.
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Diga sim, sem pressa e com amor
"Então case-se comigo numa noite de luar
Ou na manhã de um domingo à beira mar
Diga sim pra mim
Case-se comigo na igreja e no papel
Vestido branco com bouquet e lua de mel
Diga sim pra mim"
(Isabella Taviani)
No passado, valorizar cerimônias em momentos marcantes, como casamento e formatura, me parecia pura perda de tempo. Hoje penso diferente.
Uma colega casou no Sul e, ao entrar no site do fotógrafo, vi fotos lindas, despojadas, naturais. Nada posado, artificial, com maquiagens carregadas e vestidos empolados. Tudo muito simples, natural, tradicional, mas incrivelmente original. Adorei. Impossível não se encantar.
Aí pensei na quantidade de mulheres que neste mês, o das noivas, chegam ao altar depois de uma verdadeira maratona de compromissos exaustivos - que, aliás, virou até série de tevê, "Noivas neuróticas", nome que caiu como uma luva. São meses de antecedência para garantir o espetáculo e uma enorme canseira. Da escolha do modelo do vestido ao boneco do bolo, do convite ao lugar da lua de mel, o que deveria ser prazeroso acaba sendo alvo de muita irritação, principalmente se a noiva for daquelas que querem controlar cada detalhe. No final, além de uma baita dor de cabeça, o que sobra são imagens que retratam o artificialismo. Imagens sem vida, sem emoção, que se perdeu quem sabe na loja que vendeu as alianças de ouro ou na floricultura que decorou a igreja. Movimentos engessados, rostos suados e mantidos com muita base, sorrisos forçados, coroados por uma aura de preocupação.
É que as pessoas valorizam as coisas erradas. O álbum, a festa, o vestido, o glamour, nada disso é mais importante que a espotaneidade do amor. E o que é o casamento senão a celebração do amor? Da união de apaixonados?
As fotos do casamento que eu vi revelam um par afinado e íntimo como só conseguem formar as pessoas convictas da certeza do mais nobre sentimento humano. Fotos que flagram uma noiva bela e tranquila, serena em seu vestido branco e simples; um noivo brincalhão e feliz. No calor do aconchego das famílias e de amigos, uma vida em comum festejada com alegria. Sorrisos verdadeiros e risos dos momentos mais cômicos. Nenhuma ostentação, nenhum luxo, mas a elegância discreta de quem nunca pretendeu impressionar os outros. Imaginei aquele casal velhinho, lá na frente, revendo o álbum.
Voltei a navegar pelos sites de notícia e me deparei com mais uma celebridade que teve seu deslumbrante casamento desfeito sob acusações mútuas. O castelo de areia que desmoronou na primeira onda. Parei e pensei quanto tempo, dinheiro e energia gasto com o que não vale a pena. O que importa mesmo não exige neurose, estresse e pressa. Só basta amar.
PS.: Sim, eles curtiram cada minuto da festa, que durou três dias... E o fotógrafo é Filipe Francisco.
Ou na manhã de um domingo à beira mar
Diga sim pra mim
Case-se comigo na igreja e no papel
Vestido branco com bouquet e lua de mel
Diga sim pra mim"
(Isabella Taviani)
No passado, valorizar cerimônias em momentos marcantes, como casamento e formatura, me parecia pura perda de tempo. Hoje penso diferente.
Uma colega casou no Sul e, ao entrar no site do fotógrafo, vi fotos lindas, despojadas, naturais. Nada posado, artificial, com maquiagens carregadas e vestidos empolados. Tudo muito simples, natural, tradicional, mas incrivelmente original. Adorei. Impossível não se encantar.
Aí pensei na quantidade de mulheres que neste mês, o das noivas, chegam ao altar depois de uma verdadeira maratona de compromissos exaustivos - que, aliás, virou até série de tevê, "Noivas neuróticas", nome que caiu como uma luva. São meses de antecedência para garantir o espetáculo e uma enorme canseira. Da escolha do modelo do vestido ao boneco do bolo, do convite ao lugar da lua de mel, o que deveria ser prazeroso acaba sendo alvo de muita irritação, principalmente se a noiva for daquelas que querem controlar cada detalhe. No final, além de uma baita dor de cabeça, o que sobra são imagens que retratam o artificialismo. Imagens sem vida, sem emoção, que se perdeu quem sabe na loja que vendeu as alianças de ouro ou na floricultura que decorou a igreja. Movimentos engessados, rostos suados e mantidos com muita base, sorrisos forçados, coroados por uma aura de preocupação.
É que as pessoas valorizam as coisas erradas. O álbum, a festa, o vestido, o glamour, nada disso é mais importante que a espotaneidade do amor. E o que é o casamento senão a celebração do amor? Da união de apaixonados?
As fotos do casamento que eu vi revelam um par afinado e íntimo como só conseguem formar as pessoas convictas da certeza do mais nobre sentimento humano. Fotos que flagram uma noiva bela e tranquila, serena em seu vestido branco e simples; um noivo brincalhão e feliz. No calor do aconchego das famílias e de amigos, uma vida em comum festejada com alegria. Sorrisos verdadeiros e risos dos momentos mais cômicos. Nenhuma ostentação, nenhum luxo, mas a elegância discreta de quem nunca pretendeu impressionar os outros. Imaginei aquele casal velhinho, lá na frente, revendo o álbum.
Voltei a navegar pelos sites de notícia e me deparei com mais uma celebridade que teve seu deslumbrante casamento desfeito sob acusações mútuas. O castelo de areia que desmoronou na primeira onda. Parei e pensei quanto tempo, dinheiro e energia gasto com o que não vale a pena. O que importa mesmo não exige neurose, estresse e pressa. Só basta amar.
PS.: Sim, eles curtiram cada minuto da festa, que durou três dias... E o fotógrafo é Filipe Francisco.
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Sua mensagem foi enviada
"Palavras apenas, palavras pequenas,
palavras"
(Palavras ao Vento, Cássia Eller)
Palavra, uma vez dita, não retorna. O mal já foi causado, a dor, e o máximo que podemos fazer é pedir desculpa, mas a sombra do que se disse sempre fica, ostensiva, opressora, inquirindo em silêncio cada sentença, duvidando de afirmações, comprometendo relacionamentos.
Por pressa e estresse, vomitamos sobre o outro palavras que doem mais que um tapa na cara. Minha avó costumava dizer que a boca fala do que o coração está cheio, o que acho em parte verdade. Em parte. Às vezes não temos a menor intenção de agredir, na maioria das vezes não "perdemos tempo" pensando antes de falar e simplesmente falamos. Conselhos não pedidos, gafes de toda ordem, fofocas e besteiras que poderiam ser evitadas.
Na Era da Internet, mandamos e-mails como palavras e, como as ditas em alto e bom som ou as sussurradas, as virtuais vão direto para a caixa postal daquela pessoa. Num momento difícil ou de pura distração, lá foi ela como um torpedo e tudo que podemos fazer é ler "Sua mensagem foi enviada" com um pesar dentro do estômago e um enorme arrependimento. Irreversível.
Vamos tentar praticar - eu também, lógico! - refletir um pouco antes de abrir a boca ou mandar uma mensagem porque não há como interceptá-la no caminho. Esses poucos segundos vão nos poupar de tristezas e problemas, evitar tantos dissabores, falhas de comunicação, incompreesão e equívocos.
E como temos dois ouvidos e uma boca, vamos tentar ouvir mais e falar menos.
palavras"
(Palavras ao Vento, Cássia Eller)
Palavra, uma vez dita, não retorna. O mal já foi causado, a dor, e o máximo que podemos fazer é pedir desculpa, mas a sombra do que se disse sempre fica, ostensiva, opressora, inquirindo em silêncio cada sentença, duvidando de afirmações, comprometendo relacionamentos.
Por pressa e estresse, vomitamos sobre o outro palavras que doem mais que um tapa na cara. Minha avó costumava dizer que a boca fala do que o coração está cheio, o que acho em parte verdade. Em parte. Às vezes não temos a menor intenção de agredir, na maioria das vezes não "perdemos tempo" pensando antes de falar e simplesmente falamos. Conselhos não pedidos, gafes de toda ordem, fofocas e besteiras que poderiam ser evitadas.
Na Era da Internet, mandamos e-mails como palavras e, como as ditas em alto e bom som ou as sussurradas, as virtuais vão direto para a caixa postal daquela pessoa. Num momento difícil ou de pura distração, lá foi ela como um torpedo e tudo que podemos fazer é ler "Sua mensagem foi enviada" com um pesar dentro do estômago e um enorme arrependimento. Irreversível.
Vamos tentar praticar - eu também, lógico! - refletir um pouco antes de abrir a boca ou mandar uma mensagem porque não há como interceptá-la no caminho. Esses poucos segundos vão nos poupar de tristezas e problemas, evitar tantos dissabores, falhas de comunicação, incompreesão e equívocos.
E como temos dois ouvidos e uma boca, vamos tentar ouvir mais e falar menos.
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Vida no ar
Lição de casa:
"Pratico movimentos respiratórios no metrô, no avião, deitada na cama, sentada à minha mesa de trabalho, mas também como parte da minha rotina caseira - de qualquer maneira, sempre que tenho que respirar. Parte do encantamento é aproveitar o momento. Respirar é o maior estímulo do momento presente. Pense em fazê-lo e esqueça o passado e o futuro. Você está no 'aqui e agora'. Esta é a mais importante zona da dieta."
Mireille Guiliano (em "As Mulheres Francesas Não Engordam", editora Campus)
quinta-feira, 15 de abril de 2010
Santos receberá Respira Brasil
"O mundo respira por um triz, ainda bem
Um pouco dos restos de ontem
É o que se tem"
(Nação Zumbi)
Um aviso aos moradores de Santos e região.
No próximo domingo (dia 18/4), a ONG Arte de Viver promoverá o que é tido como maior evento de respiração no País: o Respira Brasil, na praça das Bandeiras, na praia do Gonzaga, das 16h às 18h. Haverá aula de ioga e meditação. Informações no site www.artedeviver.org.br/respirabrasil.
A respiração é importante para o controle emocional e outros tantos benefícios, mas acabamos por negligenciá-la. Entender a fisiologia desse processo e colocar os ensinamentos em prática é um desafio e tanto para os apressadinhos, como eu. A própria entidade em questão destaca: mais de 80% das impurezas e toxinas presentes no organismo podem ser eliminadas através da respiração, porém a maioria das pessoas utiliza somente 35% de sua capacidade pulmonar.
(Em tempo: não sei se contei, mas dei um tempo à acupuntura e me obrigo a reservar duas horas por semana para meu esporte preferido: natação. Além de dar um "up" no corpo, melhora muito a respiração e relaxa. O melhor é que a professora também leciona ioga, um sonho antigo)
Tá dado o recado.
Agora é com vocês.
Um pouco dos restos de ontem
É o que se tem"
(Nação Zumbi)
Um aviso aos moradores de Santos e região.
No próximo domingo (dia 18/4), a ONG Arte de Viver promoverá o que é tido como maior evento de respiração no País: o Respira Brasil, na praça das Bandeiras, na praia do Gonzaga, das 16h às 18h. Haverá aula de ioga e meditação. Informações no site www.artedeviver.org.br/respirabrasil.
A respiração é importante para o controle emocional e outros tantos benefícios, mas acabamos por negligenciá-la. Entender a fisiologia desse processo e colocar os ensinamentos em prática é um desafio e tanto para os apressadinhos, como eu. A própria entidade em questão destaca: mais de 80% das impurezas e toxinas presentes no organismo podem ser eliminadas através da respiração, porém a maioria das pessoas utiliza somente 35% de sua capacidade pulmonar.
(Em tempo: não sei se contei, mas dei um tempo à acupuntura e me obrigo a reservar duas horas por semana para meu esporte preferido: natação. Além de dar um "up" no corpo, melhora muito a respiração e relaxa. O melhor é que a professora também leciona ioga, um sonho antigo)
Tá dado o recado.
Agora é com vocês.
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