“Longe se vai sonhando demais, mas aonde se chega assim?”
(Milton Nascimento)
Se por um lado devemos cultivar nossos sonhos e concretizá-los, por outro não podemos viver só de sonhos. Há uma diferença enorme entre traçar um planejamento para atingir metas, seja trocar de carro ou comprar um imóvel, e viver praguejando porque não se consegue um emprego melhor.
Quem sonha demais, esquece a realidade e vive a vida sem viver. Mas quando mantém vivos os sonhos sem se desconectar do mundo real, vive com mais alegria e entusiasmo. Sem eles, o cotidiano se torna rígido e chato.
Falando em sonhos, essa é uma boa maneira de se reencontrar. Pegue uma foto antiga e veja. Examine bem aquela criança porque ela ainda é você. Lembre-se do que, naquela época, queria fazer no futuro e faça, se isto for importante hoje.
Mas sonhar como fuga da realidade é o que milhões de pessoas fazem sem se dar conta. No trânsito, sonhando com um carro novo, sem observar as dificuldades de quem depende de transporte público. No emprego, sonhando com uma promoção e melhor salário, sem notar que é preciso trabalhar com mais energia, mostrar resultados que justifiquem isso ou batalhar outro lugar. No espelho, sonhando com quilos a menos, mas sem encontrar disposição de fazer exercícios e adotar uma dieta.
A médica norte-americana Pamela Peeke, autora de “Body for Life para Mulheres”, chama esse tipo de condicionamento de vala da ruminação. Não reclame, aja. Não sonhe apenas, concretize. Adote uma atitude realista e mude o que não o satisfaz combinando a força do pensamento com a da ação. Saia da vala da ruminação, parafraseando a dra. Peeke, deixe a zona de conforto, e chegue aonde quer chegar.
Nem sei desde quando sou assim, cheia de pressa. Talvez porque tenha sido uma criança dispersa e lenta ou por ter escolhido o jornalismo como profissão. Quem sabe por viver nessa era de coisas curtas, instantâneas. Não sei. O fato é que sou o que um grande amigo me apelidou: a Mulher-urgente. Urgente por botar pra fora toda essa inquietação imaginativa. Urgente por viver porque a escrita nada mais é que a vida, em suas múltiplas feições.
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
O valor da vida
“Vem de lá
Nenhum lugar
Espaço além, do coração
Vem na luz do sol
O vento traz
Nudez de tal revelação”
(“Anjo Bom”, Flávio Venturini)
Afinal, corremos para quê? Esta é a pergunta que me faço diante de tragédias como a do Haiti. Ali, entre escombros, vidas soterradas. Pessoas que até o terremoto acontecer trabalhavam, estudavam, levavam seu cotidiano normalmente, quem sabe felizes. E que hoje choram seus mortos, perambulam entre prédios destruídos, sentam no chão e tentam buscar recursos, do fundo da alma, para se recompor e curar feridas que talvez nunca cicatrizem.
Estamos sempre apressados e passamos pela vida como zumbis, sem prestar atenção ao presente, a quem está do nosso lado, a pequenas alegrias, tão discretas e frágeis que se perdem no mar agitado dos nossos pensamentos. E eis que um dia algo acontece, ou não. O diagnóstico de uma doença grave, a morte de um ente querido, um trauma ou uma tragédia que nos faça parar. Reparem que sobreviventes dão um valor muito maior à vida, mudando completamente de atitude. Tornam-se pessoas melhores. Não precisamos passar por isso para revolucionar nossa vida.
Recentemente assisti a um vídeo em que o palestrante discorria sobre felicidade e comparava ganhar na loteria a se tornar um paraplégico. Claro que ninguém quer ficar sem os movimentos das pernas e todos querem ter dinheiro o bastante para realizar seus sonhos, mas, segundo ele, nas pessoas estudadas, algum tempo depois o nível de felicidade nos dois casos era o mesmo. O palestrante atribuía isso ao fato de nos contentarmos com o que temos se não tivermos escolhas. Quando temos muitas opções, tendemos a não nos satisfazermos nunca, como alguém que, por ter tudo, não encontra felicidade em nada, condenado a uma eterna busca por mais e mais.
As câmeras de tevê nos mostram que as pessoas no Haiti que sobreviveram ao terremoto não têm escolhas. A vida foi o que lhes restou, e só. Para muitos, isso basta. Vejo num site a foto de um soldado espanhol entregando uma criança de dois anos à mãe. O soldado exibe um sorriso triste, como que escurecido pelo pesar das cenas horríveis que viu. A criança também não sorri abertamente, apenas seus olhos, negros e grandes, traduzem o contentamento de ter a mãe ali tão próxima. Não se pode ver a expressão da mãe porque ela está de costas, mas sua mão, indo ao encontro do rosto do filho, sorri por ela, com ternura e paz.
A mesma paz que marcou a trajetória da amada Zilda Arns neste mundo. Aos 75 anos, morreu de forma heróica, lutando pelo que acreditava, mas viveu de forma ainda mais heróica, salvando vidas com receitas simples de uma mistura de farelo de cereais e de água com sal e açúcar. Um anjo lindo que passou pela Terra espalhando justiça e solidariedade.
Vamos parar um pouco, fazer um minuto de silêncio em respeito aos que se foram e em homenagem aos bravos que tentam viver em meio ao caos. E que este silêncio se prolongue por nossas mentes inquietas, corações ansiosos e pernas apressadas.
Devemos dar graças a Deus pelo que temos, ter a humildade de aceitar o que não podemos mudar e amar muito. Porque nesta vida, só o amor importa. O amor de Zilda Arns pelas crianças pobres, o amor daquela mãe ao reencontrar o filho, o amor do soldado que enfrenta o perigo para resgatar desconhecidos que falam outra língua e o amor que temos para mudar o mundo ao nosso redor.
Nenhum lugar
Espaço além, do coração
Vem na luz do sol
O vento traz
Nudez de tal revelação”
(“Anjo Bom”, Flávio Venturini)
Afinal, corremos para quê? Esta é a pergunta que me faço diante de tragédias como a do Haiti. Ali, entre escombros, vidas soterradas. Pessoas que até o terremoto acontecer trabalhavam, estudavam, levavam seu cotidiano normalmente, quem sabe felizes. E que hoje choram seus mortos, perambulam entre prédios destruídos, sentam no chão e tentam buscar recursos, do fundo da alma, para se recompor e curar feridas que talvez nunca cicatrizem.
Estamos sempre apressados e passamos pela vida como zumbis, sem prestar atenção ao presente, a quem está do nosso lado, a pequenas alegrias, tão discretas e frágeis que se perdem no mar agitado dos nossos pensamentos. E eis que um dia algo acontece, ou não. O diagnóstico de uma doença grave, a morte de um ente querido, um trauma ou uma tragédia que nos faça parar. Reparem que sobreviventes dão um valor muito maior à vida, mudando completamente de atitude. Tornam-se pessoas melhores. Não precisamos passar por isso para revolucionar nossa vida.
Recentemente assisti a um vídeo em que o palestrante discorria sobre felicidade e comparava ganhar na loteria a se tornar um paraplégico. Claro que ninguém quer ficar sem os movimentos das pernas e todos querem ter dinheiro o bastante para realizar seus sonhos, mas, segundo ele, nas pessoas estudadas, algum tempo depois o nível de felicidade nos dois casos era o mesmo. O palestrante atribuía isso ao fato de nos contentarmos com o que temos se não tivermos escolhas. Quando temos muitas opções, tendemos a não nos satisfazermos nunca, como alguém que, por ter tudo, não encontra felicidade em nada, condenado a uma eterna busca por mais e mais.
As câmeras de tevê nos mostram que as pessoas no Haiti que sobreviveram ao terremoto não têm escolhas. A vida foi o que lhes restou, e só. Para muitos, isso basta. Vejo num site a foto de um soldado espanhol entregando uma criança de dois anos à mãe. O soldado exibe um sorriso triste, como que escurecido pelo pesar das cenas horríveis que viu. A criança também não sorri abertamente, apenas seus olhos, negros e grandes, traduzem o contentamento de ter a mãe ali tão próxima. Não se pode ver a expressão da mãe porque ela está de costas, mas sua mão, indo ao encontro do rosto do filho, sorri por ela, com ternura e paz.
A mesma paz que marcou a trajetória da amada Zilda Arns neste mundo. Aos 75 anos, morreu de forma heróica, lutando pelo que acreditava, mas viveu de forma ainda mais heróica, salvando vidas com receitas simples de uma mistura de farelo de cereais e de água com sal e açúcar. Um anjo lindo que passou pela Terra espalhando justiça e solidariedade.
Vamos parar um pouco, fazer um minuto de silêncio em respeito aos que se foram e em homenagem aos bravos que tentam viver em meio ao caos. E que este silêncio se prolongue por nossas mentes inquietas, corações ansiosos e pernas apressadas.
Devemos dar graças a Deus pelo que temos, ter a humildade de aceitar o que não podemos mudar e amar muito. Porque nesta vida, só o amor importa. O amor de Zilda Arns pelas crianças pobres, o amor daquela mãe ao reencontrar o filho, o amor do soldado que enfrenta o perigo para resgatar desconhecidos que falam outra língua e o amor que temos para mudar o mundo ao nosso redor.
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Mãos na terra
“Afagar a terra, conhecer os desejos da terra
Cio da terra, a propícia estação
E fecundar o chão”
(“Cio da Terra”, Milton Nascimento e Chico Buarque)
Representando abundância e fertilidade, a terra é um elemento poderoso que, entre outras coisas, nos ajuda na busca pela tão necessária calma. Simplesmente pisá-la com pés descalços, sentir seu cheiro após a chuva, nos faz parar por um momento e deixar de ser isto ou aquilo para assumirmos apenas a condição de seres vivos. Se a vida humana começa na água, termina na terra para ressurgir em outras formas. Mãe generosa, recebe e transforma, nutre e desenvolve.
Sugiro então que você arregace as mangas e procure um pedacinho de terra. Nem precisa ser quintal ou sítio. Basta um vaso. Plante ali o que quiser: de uma horta para colher alimentos para o estômago a um jardim de rosas, que alimenta a alma. Pode ser apenas um pé de feijão, uma árvore que se tornará frondosa ou uma muda de manjericão. Basta a semente da fruta que você acabou de comer, o pedaço do caule com raiz de uma salsa que ia para o lixo, aqueles envelopes de sementes que se encontra no supermercado ou saquinhos com plantas nas feiras livres. Uma folha de begônia ou de violeta é capaz de se multiplicar e algumas espécies de plantas pegam por galho, inclusive a roseira.
Cuide bem do seu pequeno agroprojeto. Sol, água e adubo são imprescindíveis, nas quantidades recomendadas a cada espécie. Ah, e paciência. Aí entra o treino contra a pressa. Nada na natureza acontece fora de época, há tempo para tudo. Então se prepare para todo dia visitar sua planta com aquela expectativa e... Nada. Até que um dia, quando você já nem achava mais que ela brotaria ou daria flores, descobre um minúsculo botão, uma folhinha, um pedacinho de vida. É como uma gravidez - o ultrassom revelando aquele pequeno ser, do tamanho de um grão de feijão, implantado no útero.
E o prazer vai aumentando à medida que a muda cresce: imagine saborear uma salada com verduras direto da horta, uma sopa com legumes frescos, temperar a comida com ervas verdes ou uma suculenta fruta. Tudo orgânico, sem agrotóxicos. Diz se não tem uma energia diferente...
Outro exercício relacionado à terra pode ser esculpir em argila, modelar a massa disforme e criar o que quiser. Liberte-se como na infância, sem autocrítica e julgamentos. São atividades simples que produzem um efeito terapêutico excelente, aumentando nossa qualidade de vida.
Que o ser humano tenha sensibilidade para amar a natureza, em seus pequenos detalhes. E a terra, que dá nome do nosso planeta água, nos inspire a sermos mais generosos e desapegados a cada estação.
Cio da terra, a propícia estação
E fecundar o chão”
(“Cio da Terra”, Milton Nascimento e Chico Buarque)
Representando abundância e fertilidade, a terra é um elemento poderoso que, entre outras coisas, nos ajuda na busca pela tão necessária calma. Simplesmente pisá-la com pés descalços, sentir seu cheiro após a chuva, nos faz parar por um momento e deixar de ser isto ou aquilo para assumirmos apenas a condição de seres vivos. Se a vida humana começa na água, termina na terra para ressurgir em outras formas. Mãe generosa, recebe e transforma, nutre e desenvolve.
Sugiro então que você arregace as mangas e procure um pedacinho de terra. Nem precisa ser quintal ou sítio. Basta um vaso. Plante ali o que quiser: de uma horta para colher alimentos para o estômago a um jardim de rosas, que alimenta a alma. Pode ser apenas um pé de feijão, uma árvore que se tornará frondosa ou uma muda de manjericão. Basta a semente da fruta que você acabou de comer, o pedaço do caule com raiz de uma salsa que ia para o lixo, aqueles envelopes de sementes que se encontra no supermercado ou saquinhos com plantas nas feiras livres. Uma folha de begônia ou de violeta é capaz de se multiplicar e algumas espécies de plantas pegam por galho, inclusive a roseira.
Cuide bem do seu pequeno agroprojeto. Sol, água e adubo são imprescindíveis, nas quantidades recomendadas a cada espécie. Ah, e paciência. Aí entra o treino contra a pressa. Nada na natureza acontece fora de época, há tempo para tudo. Então se prepare para todo dia visitar sua planta com aquela expectativa e... Nada. Até que um dia, quando você já nem achava mais que ela brotaria ou daria flores, descobre um minúsculo botão, uma folhinha, um pedacinho de vida. É como uma gravidez - o ultrassom revelando aquele pequeno ser, do tamanho de um grão de feijão, implantado no útero.
E o prazer vai aumentando à medida que a muda cresce: imagine saborear uma salada com verduras direto da horta, uma sopa com legumes frescos, temperar a comida com ervas verdes ou uma suculenta fruta. Tudo orgânico, sem agrotóxicos. Diz se não tem uma energia diferente...
Outro exercício relacionado à terra pode ser esculpir em argila, modelar a massa disforme e criar o que quiser. Liberte-se como na infância, sem autocrítica e julgamentos. São atividades simples que produzem um efeito terapêutico excelente, aumentando nossa qualidade de vida.
Que o ser humano tenha sensibilidade para amar a natureza, em seus pequenos detalhes. E a terra, que dá nome do nosso planeta água, nos inspire a sermos mais generosos e desapegados a cada estação.
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
Promessas de Ano-novo
"Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais...
Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar!
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar...
Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora?
Hoje é do jeito que achou que seria
Quantos amigos você jogou fora?"
("A Lista", Oswaldo Montenegro)
Todo ano, refazemos a mesma lista de promessas: desacelerar, procurar velhos amigos, comer menos, fazer exercícios, parar de fumar... Mas no correr dos dias, semanas e meses, elas nunca se concretizam.
Neste alvorecer de 2010, vou esquecer as promessas. Fazer um tratado comigo mesma. Sem o rigor das coisas impostas, das regras, dos objetivos tão irreais. O compromisso é colocar o bem-estar em primeiro plano, buscar qualidade de vida e alegria. Livre assim, sem entrar em detalhes, enumerações.
Minha médica costumava dizer "Se você estiver bem, tudo e todos ao teu redor estarão também". Quando estamos felizes, somos melhores. Então que esta seja nossa única meta.
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais...
Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar!
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar...
Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora?
Hoje é do jeito que achou que seria
Quantos amigos você jogou fora?"
("A Lista", Oswaldo Montenegro)
Todo ano, refazemos a mesma lista de promessas: desacelerar, procurar velhos amigos, comer menos, fazer exercícios, parar de fumar... Mas no correr dos dias, semanas e meses, elas nunca se concretizam.
Neste alvorecer de 2010, vou esquecer as promessas. Fazer um tratado comigo mesma. Sem o rigor das coisas impostas, das regras, dos objetivos tão irreais. O compromisso é colocar o bem-estar em primeiro plano, buscar qualidade de vida e alegria. Livre assim, sem entrar em detalhes, enumerações.
Minha médica costumava dizer "Se você estiver bem, tudo e todos ao teu redor estarão também". Quando estamos felizes, somos melhores. Então que esta seja nossa única meta.
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
Água para sorte e saúde no Ano-novo
“Água que nasce na fonte,
Serena do mundo,
E que abre um profundo grotão.
Água que faz inocente
Riacho e deságua
Na corrente do ribeirão...
Águas escuras dos rios,
Que levam a fertilidade ao sertão.
Águas que banham aldeias
E matam a sede da população...”
(Guilherme Arantes)
Comer romã e lentilhas, usar roupas brancas e novas, guardar sementes de uvas... Sugestões para atrair sorte não faltam em qualquer Réveillon. Eu sugiro algo que nada tem de supersticioso, mas possui o claro significado de vida, saúde e bem-estar: a água. Por dentro ou por fora, ela faz a faxina que a gente precisa para mudar o ciclo e entrar, com o pé direito, no novo ano.
Como é verão, fica fácil. Água vai bem com tudo: pura, em sucos de frutas e outros mais, como o de clorofila, em chás gelados... E o que não dizer da deliciosa água de coco? Já que somos constituídos de muita água, consumi-la é essencial. Nesta estação quente, melhor beber que comer. E se considerarmos que os festejos envolvem bebidas alcoólicas, hidratação faz um bem enorme ao corpo, ressentido da exposição solar. Mesmo ao comer, dê preferência a frutas como melão e melancia, a gelatinas (a aguar-aguar, feita de algas, é melhor ainda), sorvetes sem leite, saladas coloridas e legumes no vapor. Entre as carnes, como não poderia deixar de ser, a de peixe combina com verão, especialmente grelhada. Bom quem pode pescá-lo fresquinho e sem metais pesados.
Por fora, recomendo um banho. De mar, claro, tão disponível para nós, só que olho na bandeira da Sabesp. Em casa, um simples banho de chuveiro refresca, acalma a mente e aquieta o coração: se frio, é revigorante; morno, relaxante; e quente, no inverno, aconchegante. Para os místicos, na net há várias receitinhas de banhos com ervas, como o poderoso alecrim, para levar os maus fluídos ralo abaixo.
Banho de cachoeira é um luxo para poucos. Como canta a incrível Tetê Espíndola e sua voz de ave pantaneira: “Há um chuvisco na Chapada. Em toda mata um cochicho em cê-agá. Chuá-chuá na queda d'água. Em me espicho e fico quieta, nada me falta”. Já me sinto lá...
Perfumes? Sim, as águas de colônia são muito suaves, que prolongam a sensação de banho e produzem uma aura gostosa. São completamente "out" os perfumes pesados, típicos do inverno, que agridem o olfato. Ao invés de atrair, espanta. Mandarina, lavanda, frutas cítricas, são muitas as águas perfumadas, basta escolher uma que combine com você.
Para desacelerar, nada como uma piscina. Os movimentos são lentos, exigem mais e nos recordam o útero materno. Aliás, parênteses para mamães e papais: para acalmar os bebês, a nova moda é o banho de balde, acredite se quiser. Voltando ao banho, quem pode usufruir dos benefícios das saunas ou das termas, maravilha também.
Só não vale uma coisa: desperdício. Não gaste água lavando carros, calçadas e de outras formas desnecessárias. Hoje a temos e um brinde a isto. No futuro, para as próximas gerações, o que equivale dizer aos nossos descendentes, a água potável talvez seja ainda mais preciosa. Quem sabe, rara. Portanto, preserve.
Ah, também não vale contaminá-la, mesmo em atitudes banais como derramar óleo de cozinha na torneira da pia – experimente fazer sabão. Ensine isso às crianças e ajude a criar cidadãos mais conscientes. Para que nos próximos anos possamos continuar brindando o Réveillon com muita água.
É isso: em 2010, te desejo paz, tranquilidade, amor e muita sombra e água fresca. Agora pode pular as sete ondas do mar e beber champagne (sem dirigir depois, lógico), que ninguém é de ferro. Pelo contrário, somos 70% água. Boa sorte!
Socorro! O computador me engoliu!
“O cérebro eletrônico comanda, manda e desmanda.
Ele é quem manda, mas ele não anda.
Só eu posso pensar se Deus existe, só eu.
Só eu posso chorar quando estou triste, só eu.
Eu cá com meus botões de carne e osso, eu falo e ouço.
Eu penso e posso”
(Gilberto Gil)
Internet é algo que absorve. Estou em licença-maternidade e, nas horas vagas, acesso e-mail, entro no Orkut e dali para uma pesquisa é um salto. Volto para outro e-mail (tenho quatro), navego outro site interessante, depois outro, uma conversinha no MSN, a leitura do jornal e das revistas... E quando vejo estou horas ali em frente ao computador, cega para o que tem ao redor, completamente envolvida com esse brinquedo de gente grande (e pequena também). Com o aumento da frequência, vicia e passa a ser rotina viver neste mundo virtual.
O problema está quando não nos colocamos limites. É tão prazeroso conversar com amigos, antigos e novos, interagir com pessoas diferentes, buscar novos conhecimentos, matar nossa sede de informação! Mas é preciso manter os pés no chão e não esquecer do mundo real, de quem está ao nosso lado, de carne e osso. Quantos pais permanecem hipnotizados em frente a tela depois de chegar do trabalho, sem tempo para ir à cozinha preparar uma refeição nutritiva e dar atenção aos filhos. E o inverso também é verdadeiro: jovens que se recusam a sair do quarto sequer para jantar, que respondem com monossílabas tentativas de diálogo. No campo profissional, é preciso manter a disciplina para evitar dispersão, já que a sedução de deixar o dever de lado é grande.
A Internet tornou-se uma grande aliada, dinamizou as comunicações e revolucionou o mercado de informações. Porém, a velocidade do mundo virtual, tão disponível e ilimitado, pode, paradoxalmente, nos tirar do mundo real. De repente estamos com centenas de amigos que nem conhecemos no site de relacionamentos e ninguém ao nosso lado, comprando por sites e deixando de sair de casa, conversando com os dedos e não mais olhos no olhos, vendo filmes pelo note e não mais no cinema. É como Frejat diz na canção quanto ao dinheiro: "quem é mesmo o dono de quem?".
Moderação em tudo é boa. Comida em excesso faz mal. Exercícios físicos também. Tudo que vai além da conta traz algum tipo de prejuízo. Internet não é exceção. Nem informação. Eu, como qualquer jornalista, sou curiosa e não me canso de buscar dados, textos, imagens, fontes de saber, mas a velocidade e o volume às vezes cansam. O resultado é mais ansiedade, dor de cabeça, nervosismo, agitação.
Quando notei que estava me deixando engolir pelo computador, mergulhando, não navegando, em suas atrativas possibilidades, resolvi emergir. E respirei fundo, como faria depois de algum tempo submersa em águas agitadas. Nem todos os dias escreverei neste blog, como desejo. Ler os e-mails duas vezes por dia está ótimo. Divididas entre afazeres e prazeres, as horas de folga serão momentos para, por exemplo, andar na praia, visitar uma amiga ou apenas ficar em silêncio. Enfim, tento encontrar formas de tirar o máximo proveito do meu notebook sem, entretanto, me aprisionar dentro dele. Agora mesmo, chega por hoje. É hora de dormir.
sábado, 26 de dezembro de 2009
Meu sonho
"Faça o que é bom, sinta o que é bom, pense o que é bom. Bom pra você.
Guarda pro final aquele sabor genial, se é genial pra você" (Zélia Duncan)
Estou na cozinha da minha chácara preparando uma sopa de couve-flor, curry, maçã e açafrão para o jantar. Com um fogão rústico e lenha por perto, a cozinha expõe panelas dependuradas e num paneleiro antigo de metal, maços de temperos frescos na pia, colhidos da horta que fica em frente. Numa cristaleira de madeira, pratos, tigelas e canecas coloridas, de cerâmica pintada à mão por mim mesma. E na mesa, um buquê de flores do campo azuis e girassóis amarelos.
Estou com os cabelos longos e sem tintura, presos num coque displicente, vestida confortavelmente com uma calça do tipo bailarina e uma camiseta curta, de chinelos de palha comprados no centrinho da cidade mais próxima. Estou sorrindo, feliz da vida. Olhando pela janela, vejo um morro ao longe, um pequeno lago com marrecos barulhentos, árvores frutíferas, jardim com uma estufa para orquídeas e meus filhos correndo atrás de um cachorro grande cor de conhaque, por entre as árvores.
Enquanto a sopa cozinha lentamente na panela de pedra e meu marido segue para nossa oficina, onde produzimos arte, aproveito para descansar na sala, com sofás amplos e fofos, tijolos aparentes e muitos quadros.
O cheiro bom da sopa mistura-se ao de café fresco, de coador. O som de risadas infantis confunde-se com os de aves e da cigarra, avisando que o sol está a pino. Não deito no sofá. Prefiro ir até a varanda, sentar na rede artesanal e agradecer a Deus por tudo aquilo. Fico ali alguns minutos, desfrutando a plena paz, respirando o ar puro do verde ao redor e depois volto à cozinha. Desligo o fogo. Tomo uma xícara de café fumegante, levo outra para meu companheiro e providencio mais lenha seca para a noite, que vai esfriar.
Volto para a cozinha, na dúvida entre colher amoras silvestres para uma geléia, plantar flores ou pintar um novo quadro. Decido deixar tudo para depois e deito na rede da varanda contemplando o céu e saboreando o mais completo ócio.
Guarda pro final aquele sabor genial, se é genial pra você" (Zélia Duncan)
Estou na cozinha da minha chácara preparando uma sopa de couve-flor, curry, maçã e açafrão para o jantar. Com um fogão rústico e lenha por perto, a cozinha expõe panelas dependuradas e num paneleiro antigo de metal, maços de temperos frescos na pia, colhidos da horta que fica em frente. Numa cristaleira de madeira, pratos, tigelas e canecas coloridas, de cerâmica pintada à mão por mim mesma. E na mesa, um buquê de flores do campo azuis e girassóis amarelos.
Estou com os cabelos longos e sem tintura, presos num coque displicente, vestida confortavelmente com uma calça do tipo bailarina e uma camiseta curta, de chinelos de palha comprados no centrinho da cidade mais próxima. Estou sorrindo, feliz da vida. Olhando pela janela, vejo um morro ao longe, um pequeno lago com marrecos barulhentos, árvores frutíferas, jardim com uma estufa para orquídeas e meus filhos correndo atrás de um cachorro grande cor de conhaque, por entre as árvores.
Enquanto a sopa cozinha lentamente na panela de pedra e meu marido segue para nossa oficina, onde produzimos arte, aproveito para descansar na sala, com sofás amplos e fofos, tijolos aparentes e muitos quadros.
O cheiro bom da sopa mistura-se ao de café fresco, de coador. O som de risadas infantis confunde-se com os de aves e da cigarra, avisando que o sol está a pino. Não deito no sofá. Prefiro ir até a varanda, sentar na rede artesanal e agradecer a Deus por tudo aquilo. Fico ali alguns minutos, desfrutando a plena paz, respirando o ar puro do verde ao redor e depois volto à cozinha. Desligo o fogo. Tomo uma xícara de café fumegante, levo outra para meu companheiro e providencio mais lenha seca para a noite, que vai esfriar.
Volto para a cozinha, na dúvida entre colher amoras silvestres para uma geléia, plantar flores ou pintar um novo quadro. Decido deixar tudo para depois e deito na rede da varanda contemplando o céu e saboreando o mais completo ócio.
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